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The Beatles – The Fool On the Hill
Voando por sobre o tempo e glorificando a sua impotência perante o seu destino. Apossa-se de sua alma a saudade de um futuro: sempre e sempre o que ainda não há, pois mesmo não sendo, lá é melhor. Quem é esse homem que brinca com o tempo e que vive em si mesmo as suas primaveras e seus invernos? Quem é esse homem que repousa na distância entre os seus olhos e o horizonte? Para a paz consigo mesmo é preciso algo forte: um amor qualquer ou até mesmo uma revolução… Na saudade do que virá, uma canção aos seus ouvidos: doce pretexto para justificar a sua vida “forçada” por um destino escrito por um deus qualquer.
Melancolia
Nenhuma palavra pode atingir
0 sentimento encarcerado no meu ser:
nostalgia de uma palavra vazia,
uma canção que já inicia
com um adeus ou um amém.
Sou eu comigo mesmo,
um silêncio profundo
e uma palavra nenhuma.
Os passos diante do indizível
que é sentido no meu peito,
trilham poesias tão adeus de mim,
como fuga de algo não eu,
um fato que nunca acontece:
fogem as rimas, escrevo o silêncio.
Tão barata quanto minha filosofia,
tentativa que se acaba no tentar,
indizível como sempre…
minha vida aprisionada,
em um passado que não há.
Vidas acústicas…
Eu tenho um tempo no corpo que não entendo, tenho silêncios que dizem “nãos”, “talvezes” e “poréns”… A cada instante uma palpitação, um gole, talvez um não… não sei… talvez? E tempos que levam minha mão nos teus lábios e meus pés até o bar. Em meu pensamento sempre aquele lugar que ninguém quer entrar… No absurdo de ser eu segue um desejo e um reclamar, um não saber e o bar a me pestanejar, a me implicar no futuro que não tem lágrimas, porque um futuro sem lágrimas é expressão de felicidade, é expressão da verdade, é expressão da vida, humano demasiado humana… que nos resta, que nos sobra, que é somente vida.
Coletivaria Autorativa: Marcos, Júlia, Leonardo, Zé Vicente, Dominique e Andres.
Judicio Alternante
“Seríamos mais felizes se não pensássemos”, é o que o ceticismo de Michel de Montaigne nos trás. Todavia, a idéia de uma ausência de pensamento como chave para a felicidade, não significa que poderíamos silenciar a nossa alma, mas que a pretensão de chegar à Verdade através da Razão nada mais é do que uma vaidade. Ontem estava dando uma lida no antigo testamento, no livro chamado “Eclesiastes”, que é atribuído ao Rei Salomão – apesar de haver algumas controvérsias -; nele pude perceber um pouco daquilo que tenho sentido nesse momento da minha vida, momento em que bebi do cálice do ceticismo, pois “(…)na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor”(Cap. I, vv. 18).
No fundo, calar alguns silêncios, com pensamentos que visam buscar às essências das coisas, inclusive a pretensão de saber-se a si mesmo, como se houvesse dentro da gente um “eu” esperando para ser descoberto, é a mais dura das punições, pois como uma ferida que nunca cessa, ficamos revirando o nosso próprio ser, achando que com a razão podemos chegar a alguma verdade em nós mesmos; entretanto, isso já é em si uma petição de princípio, pois a verdade de nós mesmos precisa ser verdadeira para que consigamos chegar até ela.
O Eclesiastes nos coloca em nosso devido lugar, abaixo do céu, das estrelas, em um mundo repetitivo, sem sentido, monótono, e que a única saída que teríamos seria buscar a sabedoria em reconhecer a nossa limitação – reconhecer a nossa limitação é o que faz derivar a existência de um ente superior, mas que devido a nossa limitação é impossível de saber o que é.
Deixemos de lado uma pretensa “prova da existência de Deus”, pois acho essa questão desnecessária, e quando a achamos importante, deve ser porque não temos força suficiente para darmos sentido para a nossa própria vida. Acho que o ceticismo tem sido o meu calmante, tem tornado o meu espírito mais leve e sereno, e diante de uma questão importante para o mundo, para a ética, metafísica, teoria do conhecimento, lógica, estética, ou sei lá o que, prefiro um sorriso… meu pensamento alternativo, meu leve ceticismo, é aos moldes de Fernando Pessoa: “Há metafísica bastante em não pensar em nada”, isto é, há muito mais sabedoria no silêncio.
Variações e Alguns Gritos da Alma
“A experiência poética é apenas uma tentativa de dizer aquilo que insiste em ecoar por dentro de um corpo – a tarefa do poeta é tornar dizível o indizível, por isso, a sua vida é sempre uma poesia inacabada… A dor do dia-a-dia, a beleza de um céu límpido ou a palpitação de um coração ao ver a amada são transfiguradas em palavras, mesmo assim, dizer é sempre uma imensa pretensão… As coisas nunca saem como a gente quer”.
Essa é a epígrafe do meu singelo livro de poesias, que nada mais é do que uma compilação de 40 poesias escritas por mim desde 2000, quando iniciei efetivamente a escrever. O livro está em .pdf, disponível para download aqui: Variações e alguns gritos da alma.
Ser Neruda
Queria te oferecer os meus versos,
mas as palavras nunca combinam com o que sinto;
tentando a voz tenho lembranças como um vento…
A pele macia outrora tão minha,
só pode ser tocada na alma em poesia.
Sou um barco que navega por um mar tão quente,
abraçado por teus braços de ondas,
tocado e beijado pelo sal tão doce dos teus lábios,
suaves ires e vires da ternura azul do meu peito.
Tenho a paciência para ouvir os sons das estrelas,
dizer palavras com o olhar desviante de quem suspira…
são como ondas invadindo meu corpo:
tua pele tão branca beijando o meu rosto.
Tuas palavras silenciosas,
teus olhares passageiros,
teu suave cheiro:
és a poesia da minha alma.
Esses versos tão meus,
tão pretensiosos quanto tocar as estrelas,
não dizem palavra nenhuma…
Sentem apenas uma força silenciosa,
uma prece ou um clamor a Deus,
ofereço-te os meus contidos suspiros
e uma alma que navega em ti.
Poesia dedicada a Vanessa.


