Variações & Experimentos

Devaneios de uma razão em sua menoridade…

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The Beatles – The Fool On the Hill

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Voando por sobre o tempo e glorificando a sua impotência perante o seu destino. Apossa-se de sua alma a saudade de um futuro: sempre e sempre o que ainda não há, pois mesmo não sendo, lá é melhor. Quem é esse homem que brinca com o tempo e que vive em si mesmo as suas primaveras e seus invernos? Quem é esse homem que repousa na distância entre os seus olhos e o horizonte? Para a paz consigo mesmo é preciso algo forte: um amor qualquer ou até mesmo uma revolução… Na saudade do que virá, uma canção aos seus ouvidos: doce pretexto para justificar a sua vida “forçada” por um destino escrito por um deus qualquer.

Escrito por marcosgoulart

08/03/2008 em 10:09 pm

Melancolia

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Melancolia

Nenhuma palavra pode atingir
0 sentimento encarcerado no meu ser:
nostalgia de uma palavra vazia,
uma canção que já inicia
com um adeus ou um amém.

Sou eu comigo mesmo,
um silêncio profundo
e uma palavra nenhuma.

Os passos diante do indizível
que é sentido no meu peito,
trilham poesias tão adeus de mim,
como fuga de algo não eu,
um fato que nunca acontece:
fogem as rimas, escrevo o silêncio.

Tão barata quanto minha filosofia,
tentativa que se acaba no tentar,
indizível como sempre…
minha vida aprisionada,
em um passado que não há.

Escrito por marcosgoulart

27/01/2008 em 12:06 am

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Vidas acústicas…

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Vidas Acústicas

Eu tenho um tempo no corpo que não entendo, tenho silêncios que dizem “nãos”, “talvezes” e “poréns”… A cada instante uma palpitação, um gole, talvez um não… não sei… talvez? E tempos que levam minha mão nos teus lábios e meus pés até o bar. Em meu pensamento sempre aquele lugar que ninguém quer entrar… No absurdo de ser eu segue um desejo e um reclamar, um não saber e o bar a me pestanejar, a me implicar no futuro que não tem lágrimas, porque um futuro sem lágrimas é expressão de felicidade, é expressão da verdade, é expressão da vida, humano demasiado humana… que nos resta, que nos sobra, que é somente vida.

Coletivaria Autorativa: Marcos, Júlia, Leonardo, Zé Vicente, Dominique e Andres.

Escrito por marcosgoulart

24/01/2008 em 7:24 pm

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Judicio Alternante

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Judicio Alternante“Seríamos mais felizes se não pensássemos”, é o que o ceticismo de Michel de Montaigne nos trás. Todavia, a idéia de uma ausência de pensamento como chave para a felicidade, não significa que poderíamos silenciar a nossa alma, mas que a pretensão de chegar à Verdade através da Razão nada mais é do que uma vaidade. Ontem estava dando uma lida no antigo testamento, no livro chamado “Eclesiastes”, que é atribuído ao Rei Salomão – apesar de haver algumas controvérsias -; nele pude perceber um pouco daquilo que tenho sentido nesse momento da minha vida, momento em que bebi do cálice do ceticismo, pois “(…)na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor”(Cap. I, vv. 18).

No fundo, calar alguns silêncios, com pensamentos que visam buscar às essências das coisas, inclusive a pretensão de saber-se a si mesmo, como se houvesse dentro da gente um “eu” esperando para ser descoberto, é a mais dura das punições, pois como uma ferida que nunca cessa, ficamos revirando o nosso próprio ser, achando que com a razão podemos chegar a alguma verdade em nós mesmos; entretanto, isso já é em si uma petição de princípio, pois a verdade de nós mesmos precisa ser verdadeira para que consigamos chegar até ela.

O Eclesiastes nos coloca em nosso devido lugar, abaixo do céu, das estrelas, em um mundo repetitivo, sem sentido, monótono, e que a única saída que teríamos seria buscar a sabedoria em reconhecer a nossa limitação – reconhecer a nossa limitação é o que faz derivar a existência de um ente superior, mas que devido a nossa limitação é impossível de saber o que é.

Deixemos de lado uma pretensa “prova da existência de Deus”, pois acho essa questão desnecessária, e quando a achamos importante, deve ser porque não temos força suficiente para darmos sentido para a nossa própria vida. Acho que o ceticismo tem sido o meu calmante, tem tornado o meu espírito mais leve e sereno, e diante de uma questão importante para o mundo, para a ética, metafísica, teoria do conhecimento, lógica, estética, ou sei lá o que, prefiro um sorriso… meu pensamento alternativo, meu leve ceticismo, é aos moldes de Fernando Pessoa: “Há metafísica bastante em não pensar em nada”, isto é, há muito mais sabedoria no silêncio.

Escrito por marcosgoulart

13/01/2008 em 3:08 am

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Variações e Alguns Gritos da Alma

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Gritos da Alma

“A experiência poética é apenas uma tentativa de dizer aquilo que insiste em ecoar por dentro de um corpo – a tarefa do poeta é tornar dizível o indizível, por isso, a sua vida é sempre uma poesia inacabada… A dor do dia-a-dia, a beleza de um céu límpido ou a palpitação de um coração ao ver a amada são transfiguradas em palavras, mesmo assim, dizer é sempre uma imensa pretensão… As coisas nunca saem como a gente quer”.

Essa é a epígrafe do meu singelo livro de poesias, que nada mais é do que uma compilação de 40 poesias escritas por mim desde 2000, quando iniciei efetivamente a escrever. O livro está em .pdf, disponível para download aqui: Variações e alguns gritos da alma.

Escrito por marcosgoulart

08/01/2008 em 9:51 pm

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Ser Neruda

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Praia e Sombras

Queria te oferecer os meus versos,
mas as palavras nunca combinam com o que sinto;
tentando a voz tenho lembranças como um vento…
A pele macia outrora tão minha,
só pode ser tocada na alma em poesia.

Sou um barco que navega por um mar tão quente,
abraçado por teus braços de ondas,
tocado e beijado pelo sal tão doce dos teus lábios,
suaves ires e vires da ternura azul do meu peito.

Tenho a paciência para ouvir os sons das estrelas,
dizer palavras com o olhar desviante de quem suspira…
são como ondas invadindo meu corpo:
tua pele tão branca beijando o meu rosto.

Tuas palavras silenciosas,
teus olhares passageiros,
teu suave cheiro:
és a poesia da minha alma.

Esses versos tão meus,
tão pretensiosos quanto tocar as estrelas,
não dizem palavra nenhuma…
Sentem apenas uma força silenciosa,
uma prece ou um clamor a Deus,
ofereço-te os meus contidos suspiros
e uma alma que navega em ti.

Poesia dedicada a Vanessa.

Escrito por marcosgoulart

26/02/2007 em 11:47 pm

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