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Passos…
Passei… passei de tanto em tanto, buscando lá no que perdi, um passo firme e constante… Me frustrei! Hoje nesse passear, costumo planar para não deixar rastros: não lamento o que perdi, nem sou passado, assim ninguém me apaga, assim ninguém me vive. Se amo intensamente os meus momentos é por que lhes dou de presente, sempre esperando que todos os outros passos que assim e assado sejam tão insignificantes quanto um “etc e tal”.
Existo, logo penso…
O meu corpo sempre conduz os meus passos:
ele dança enquanto estou parado,
ele transa enquanto penso -
ele diz sim, tudo além de mim.
Ele beija os lábios
que quando penso
são alguns,
ele toca os corpos
que quando gozam
são nenhuns…
ele vive um eterno sim,
e eu me penso assim tão não.
Ser Criança
Leve é o olhar silencioso
diante do mundo,
um suspiro às estrelas…
Quem só vê com os olhos
nunca soube as cores do amor.
O que é previsível não é leve,
em nada é melodia…
a vida diante do ser criança
não sabe a fé, não sabe a razão -
pensa com o corpo,
jamais é repetição.
O meu ser criança diz apenas
Sim… Simplesmente… Sinceridade,
uma criança é sempre só quando brinca,
uma solidão tão leve,
uma insuportável maturidade.
Dedicado a Tiago, meu mais novo sobrinho.
Leveza
O que a memória me traz
é um passado que nunca vem
e um medo insuportável da repetição.
A vida é leve demais -
o vento faz voar o que se quer agarrar.
O fundamento da alegria é a sutileza,
e o seu oposto é permanente e duradouro.
Lembrar a alegria
é lamentar o que se perdeu,
lembrar o sofrimento
é lamentar o que se viveu.
Nesse exílio em si mesmo,
Que insuportável seria a vida,
sem a leveza do esquecimento.
Amor
Eu quero o amor,
quero tanto que nem sei,
e de tanto, tanto que serei,
quero um suspiro de talvez:
Um amor assim não sei…
O Zaratustra de Guilherme e Johannes
Enlouquecidamente a noite acaba ao som da 9ª sinfonia de Beethoven… Amigos saem loucos pelas ruas atrás de um lugar onde fosse possível conversar… E a “reflexão de Guilherme” ao passar por um bar se dá: “… Nenhum pastor e um só rebanho! Todos querem o mesmo, todos são iguais; e quem sente de outro modo vai voluntário para o manicômio”. Mesmo assim, entram naquele lugar antes não visto, mas que suscitavam reflexões, o mundo de todos era o mesmo e por sinal, todos queriam o mesmo: Aquela felicidade inalcançável e artificial… Dois copos, um para mim e outro para Johannes… Onde estava Guilherme? Talvez tenha corrido para longe de nós, mas sempre olhando para trás… Com certeza ele nos esperava em alguma esquina. E assim, corremos para o nosso manicômio, eu e Johannes lembrando as palavras de Guilherme antes de fugir… “Cantarei minha canção aos que vivem solitários ou em solidão a dois; e quero que, quem ainda tenha ouvidos para o que nunca se ouviu, sinta a minha ventura oprimir-lhe o coração. Quero atingir a minha meta, quero seguir o meu caminho; e pularei por cima dos hesitantes e dos retardatários. Que a minha jornada seja a sua ruína!…”. Nobres eram as palavras de Guilherme, que com certeza não eram suas; e em um quarto numa solidão profunda encontramos Guilherme, deitado em uma cama, com uma garrafa de vinho ao seu lado ao som de Beethoven… O seu manicômio perfeito.
Dedicado a amizade de Leonardo e Dover.
Diversos Tempos…
Não vejo o tempo,
apenas sinto no corpo como o vento, um silêncio…
O devagar, andar – caminho quieto, e eu?
Eu faço uma música mesmo quando calo
diferentes velocidades
sí, dó, mi, fá, sol…
E de cá sinto o peso do tempo
em minha fala,
complicada, diáspora e loca,
ao som da conversa alheia
e das percepções do que aprendemos,
aprender, viver, sentir…
Seguir os caminhos dos incertos
e do entre passos,
parar e ver o redemoinho e a energia que vem de fora.
Tenho volúpia de mim…
destino incompreender minhas bordas ao outro
que é o meu fim.
Se ligando ao início de um outro nem sei,
das pedras que se lançam àquela paisagem que nunca vi,
Mas simplesmente sentem a energia do redemoinho
como a força que se deve seguir.
E em vontade de mim, volúpia de pedras, desejo, enfim,
música, o vento tempo e o próprio jeito meu de ser,
e sigo cantarolando, a todo o resto, alheio…
Alheio porém não de mim,
me sinto, me percebo…
Da minha descoberta de mim parto em direção ao outro.
Que em mim é aquilo que diz sim,
talvez um não, mas se faz assim…
Não me diga aquilo que ninguém diz…
Ou profundo silêncio, quiça um amém!
Um além que o afago não justifica,
um porém que ninguém prestou atenção,
um clamor… Por clarão,
Na Selva.
Poesia de autoria coletiva, feita em um Psico 8 & 1/2

