Variações & Experimentos

Devaneios de uma razão em sua menoridade…

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Nietzsche e o pensamento contemporâneo

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Universidade Federal de Santa Catarina
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Departamento de Filosofia
Núcleo de Investigações Metafísicas

O Seminário Nietzsche e o pensamento contemporâneo – organizado pelo Núcleo de Investigações Metafísicas – tem como objetivo estimular a pesquisa e o debate acerca da relação da filosofia nietzscheana com o pensamento contemporâneo.
Inscrições: de 22 de abril a 13 de junho
Envio de comunicações: de 22 de abril a 23 de maio
Divulgação dos resumos e da pré-composição das mesas: 02 de junho
Definição das mesas: de 02 a 09 de junho (por solicitação dos comunicadores)
Divulgação das comunicações: 11 de junho
Evento: 18, 19 e 20 de junho

Inscrições:
Para se inscrever no Evento, é necessário enviar mensagem com as informações abaixo solicitadas para nietzscheseminario@gmail.com. No caso de apresentação de comunicação, o texto deve estar anexado ao e-mail de inscrição, seguindo as normas definidas no 1a Convocatória para o Seminário, disponível em http://nietzscheseminario.blogspot.com/.

Escrito por Marcos

20/04/2008 em 10:14 pm

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Minimíssima Moralia: O Café*

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Hoje me acordei com o cheiro do café e uma única certeza: está chovendo. O cheiro de café pela manhã sempre me faz pensar de que perdi a hora para alguma coisa, talvez seja porque temos a sensação de que quem se acordou antes da gente já está há algum tempo acordado – quem sabe seja o nosso devir casado, devir família, devir vida a dois fazendo-se acontecer. Eu lembro de uma propaganda antiga do Café Haiti, que dizia: “Tá fazendo na cozinha, tá cheirando aqui” – e não é que isso é verdade; entretanto, a propriedade de ter um cheiro forte que invade os diversos cômodos de uma casa não é apenas do Café Haiti, mas de qualquer café. Bem, mas o café não é apenas uma fonte de “cheiros despertadores”, ele está presente na mesa de quem se põe a pensar, no meu caso um subterfúgio qualquer para o silêncio. Quando o café se apresenta enquanto filosófico se elimina as suas propriedades e o seu gosto, o pensador deixa de degustá-lo para refletir acerca de qualquer coisa, nesse caso, há uma certa negação do sentido – suspende-se o cheiro e o gosto. A cor do café permanece presente na reflexão, pois o filósofo não fecha os olhos para pensar, no máximo olha para cima e coloca a mão no queixo para apoiar a sua cabeça pesada de erudição. Além disso, o café é pretexto para encontros, não é fora do comum as pessoas convidarem alguém para sair dizendo: “Vamos tomar um café? Preciso conversar contigo”; com isso, o café esfria, perde o sabor, escurece e silencia – estou convencido que o cheiro do café é um barulho… Café para tudo, para nos deixar acordados, para nos tirar a ressaca, café para cá, café para lá… Aquele que busca constituir uma filosofia brasileira, deveria parar para pensar no café como objeto da reflexão filosófica, pois no nosso caso, o café também nos faz filosofia, sendo ele o pretexto do encontro com um interlocutor qualquer ou com a busca de si mesmo em um silêncio profundo.

*Por Favor, não levem a sério isso.

Escrito por Marcos

13/04/2008 em 1:37 pm

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A virtude de um banco

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A definição de virtude de Aristóteles, aretê, nos soa estranho no mundo em que vivemos. Segundo o filósofo, virtude é o desempenho excelente de uma determinada função, ou seja, no caso do homem, a sua virtude é o excelente desempenho da razão. Mas se a nossa reflexão se voltar para os objetos do mundo, o que teríamos? No caso de uma faca por exemplo, diríamos que a sua virtude é cortar bem? No caso de um copo de água, seria matar bem a sede? E no caso de um banco? Qual a virtude de um banco?… A resposta não é tão simples. Seria o sentimento de conforto daquele que senta? Se for isso, poderíamos qualificar um banco virtuoso a partir do seu encosto, da altura que fica as pernas dobradas até o chão, altura das pernas do banco, altura do encosto até a base do tronco, etc; teríamos assim um banco virtuoso. Entretanto, a simples visão de um banco não é suficiente para determinar a sua virtuosidade. É preciso sentar, deitar, experimentar… alguns minutos, algumas horas. A simples dor nas costas, nas pernas, ou em outra parte do corpo, já é suficiente para tirar o estatuto de virtuoso de um banco. No entanto, a virtude de um banco, depende de quem senta: pessoas com bico-de-papagaio não estariam aptas para determinar a virtude de um banco, pois a dor nas costas já está pressuposta. Portanto, um teste perfeito, passaria por uma condição perfeita de nossa coluna vertebral. Ultimamente não tenho percebido bancos virtuosos, nos ônibus as minhas pernas ficam apertadas, na frente do computador o meu pescoço fica “levemente” declinado, o suficiente para me causar dores nas costas, ou seja, não há bancos virtuosos para mim. Contudo, bancos de praças geralmente nos proporcionam belas visões, bancos de ônibus não, pois o máximo que podemos sentir é um excitação ao ver o contorno entre o pescoço e o ombro de alguém, mas eu não sou o anjo de “Asas do Desejo”, nunca morri de amores por uma nuca ou um pescoço. Por isso, prefiro os bancos de praça. Nesse caso, a virtude está nos olhos de quem vê, que percebe que diante de si há algo interessante, portanto, nenhuma dorzinha nas costas é suficiente para tirar a virtuosidade desses momentos de fuga do tempo e contemplação.

Escrito por Marcos

03/04/2008 em 2:22 am

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Michel de Montaigne – Ensayos

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Este es un libro de buena fe, lector. Desde el comienzo te advertirá que con el no persigo ningún fin trascendental, sino sólo privado y familiar; tampoco me propongo con mi obra prestarte ningún servicio, ni con ella trabajo para mi gloria, que mis fuerzas no alcanzan al logro de tal designio. Lo consagro a la comodidad particular de mis parientes y amigos para que, cuando yo muera (lo que acontecerá pronto), puedan encontrar en él algunos rasgos de mi condición y humor, y por este medio conserven más completo y más vivo el conocimiento que de mí tuvieron. Si mi objetivo hubiera sido buscar el favor del mundo, habría echado mano de adornos prestados; pero no, quiero sólo mostrarme en mi manera de ser sencilla, natural y ordinaria, sin estudio ni artificio, porque soy yo mismo a quien pinto. Mis defectos se reflejarán a lo vivo: mis imperfecciones y mi manera de ser ingenua, en tanto que la reverencia pública lo consienta. Si hubiera yo pertenecido a esas naciones que se dice que viven todavía bajo la dulce libertad de las primitivas leyes de la naturaleza, te aseguro que me hubiese pintado bien de mi grado de cuerpo entero y completamente desnudo. Así, lector, sabe que yo mismo soy el contenido de mi libro, lo cual no es razón para que emplees tu vagar en un asunto tan frívolo y tan baladí. Adiós, pues.

De Montaigne, a 12 días del mes de junio de 1580 años.

Escrito por Marcos

01/04/2008 em 11:43 am

Estamira: Por uma filosofia da loucura

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Não há um critério convincente de definição da loucura, pois até mesmo a definição de um discurso do louco, necessariamente precisa de uma determinada compreensão de quem define, isto é, de alguma forma se apresenta enquanto discurso racionalmente aceito – em certo sentido, compreender e utilizar as regras da linguagem é adentrar em nosso mundo semântico e, portanto, compartilhar de nossa célebre razão de ser – o homem é racional na medida que fala, que comunica o que pensa. O discurso do louco – sob a égide de uma definição pretensiosa e precipitada – se apresenta difuso, pairando até mesmo nos espaços onde ele é interditado – no âmbito acadêmico por exemplo. Nesse caso, acreditar em uma verdade objetiva, ou na capacidade de compreender um texto em si mesmo – mergulhar na mente do autor – é admitir enquanto possível o que é fisicamente impossível, se perdendo na pretensão de ocupar o espaço de quem já se perdeu no tempo. A definição do discurso do louco não é tarefa da biologia ou qualquer neurociência, pois o discurso do louco se encerra em uma ética e estética, instaurando ao mesmo tempo algo no mundo – esse discurso “materializa-se”, efetiva-se em pessoas e, por conseguinte, as exclui por representar uma certa ininteligibilidade, pois essas pessoas dificilmente se encerram em conceitos . Creio, portanto, que o discurso do “louco” só pode ser visto como um outro tipo de discurso, quando se tem a sensibilidade para ouví-lo e vivenciá-lo; do mais, qualquer definição que implique em uma ética da interdição é nada além de uma arbitrariedade.

Escrito por Marcos

15/03/2008 em 3:58 pm

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Teia 2007 e a Experiência Mineira

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Experiência mineira

Bem já são aproximadamente 15h aqui na capital mineira, hoje é dia 12, uma quente segunda-feira; para nós porto-alegrenses, a capital mineira não deixa nada a desejar, parece uma cidade bem estruturada com uma beleza singela, mas que nos faz lembrar alguns lugares de Porto Alegre, apesar de eu ter conhecido muito mais a região central da cidade, que me pareceu muito bem planejada. Ontem tive a oportunidade de fazer um pequeno passeio turístico pela cidade, conheci um mirante, de onde dá para ver toda a capital; também conheci algumas músicas sertanejas desconhecidas para mim, pois estava rolando um fuzuê nesse lugar. Após isso fui conhecer a Praça Liberdade, onde fica o palácio do nosso possível candidato a presidência da república, o senhor Aécio Neves, havia nessa praça uma exposição de algumas réplicas de estátuas gregas, o que me estranhou foi ver essa exposição ao ar livre, por volta de umas 22h de domingo… Mas vamos começar a falar naquilo que interessa…

Cheguei à capital mineira no dia 07 de novembro, por volta das 13h45min, no aeroporto de Confins, muito distante da capital, fica em outra cidade, de lá, fomos para o Sesc Venda Nova, do outro lado, distante de tudo, em outra cidade também. Chegamos ao Sesc por volta das 15h30min, e ficamos por lá até umas 18h, pois estava sendo uma briga para nos alojarmos. Acabamos conseguindo um alojamento, contudo era um alojamento coletivo, para 46 pessoas, como não tínhamos um cadeado para guardar as nossas bagagens – eu estava junto com o pessoal de um Ponto de Cultura Chamado “De Olho na Cultura”, e eles estavam com um Lap-Top, câmera fotográfica digital e outras coisas, e não era uma boa sugestão deixarmos as nossas bagagens soltas em um alojamento com 43 pessoas que não conhecíamos. Fizemos uma peregrinação pelo Sesc, e encontramos um outro amigo de um ponto de cultura de Porto Alegre, deixamos as nossas bagagens no quarto que ele estava – ele conseguiu um alojamento individual, muito confortável por sinal. Depois disso fomos em direção ao ônibus que nos levaria a abertura oficial do Teia, que contaria com a presença do Presidente Lula… Havia um ônibus parado esperando o pessoal para irmos para cerimônia de abertura; todavia, havia uma condição para que o ônibus saísse do local: ele deveria estar com todos os lugares ocupados… Tivemos que esperar… Sentamos em uma calçada onde havia algumas belíssimas mineiras que participavam da organização do evento, ficamos conversando, falando do sul – sabe como é gaúcho, né? Bairrista que só ele… Nisso havia um amigo de um ponto de cultura de Pelotas que estava com fome, pois não havia almoçado – é que o restaurante funcionava até às 16h; ele chegou atrasado, e estava desde as 16h30min reivindicando um lanche… De repente começamos a conversar sobre Política, e uma menina da organização disse que o Lula tinha mais é que morrer, ai outra menina, também da organização disse: “Não fala isso menina, não te esquece que tu tá trabalhando para ele”… Aquele amigo de Pelotas perguntou para ela: “Mas quem tu colocarias no lugar dele?”, a menina respondeu: “O Aécio uai…”, coitada da menina todo mundo começou a rir dela – todo mundo era fã do Lula, estávamos em umas 10 pessoas -, eu como não sou Lulista, só dei risada… E Expliquei para ela que no Sul a nossa governadora é do mesmo partido do Aécio e que o seu novo jeito de governar significava vender e conter gastos, disse que só faltava a Yeda vender as calcinhas dela… A discussão sobre isso acabou por aqui, pois o pessoal queria ir ver o Lula, fomos para o ônibus e ficamos fazendo bagunça, pois já estávamos há 1 hora esperando o ônibus sair… Até que chega mais uma galera… Todos também com fome, reivindicando o lanche… Ficamos até às 18h30min naquela novela até o lanche chegar. Chegado o lanche – uma lata de refrigerante e uma esfirra -, fomos para o Palácio das Artes.

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Escrito por Marcos

10/03/2008 em 1:34 am

Entrevista com a filósofa Scarlett Marton

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Scarlett Marton é uma das poucas intelectuais uspianas que exige respeito. Especialista em Nietzsche, escritora de alguns do mais importantes livros sobre o filosofo alemão em lingua portuguesa, nesta entrevista a escritora não deixa por menos as questões relativas às pesquisas acadêmicas, o nivel do alunos da gradação de filosofia, a questão da linguística nas obras filosóficas.

A filosofa é editora dos conhecidos (e espantosamente bons) Cadernos Nietzsche do Departamento de Filosofia da USP. Ouça as três partes da entrevista aqui, aqui e aqui. Uma entrevista que mescla Richard Wagner e “Born to be wild” do Easy Rider. Depoimentos interessantes e verdadeiramente dignos, que vale a pena nós ouvirmos. Palavras raras hoje em dia.

Extraído de: http://fortalezanietzsche.blogspot.com

Escrito por Marcos

05/03/2008 em 2:32 am

Uma lição Nietzscheana: A hora má

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Gato

“Todo filósofo provavelmente já teve uma hora má, em que pensou: que importância tenho, se não crêem sequer em meus argumentos ruins? – E então passou por ele algum passarinho maldoso e gorjeou: ‘Que importa você? Que importa você’. (Friedrich Nietzsche em “A Gaia Ciência”).

Escrito por Marcos

03/03/2008 em 2:38 am

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Por um movimento gatorrista gaúcho

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A Gatorra surge como o avatar da era de aquárius e segundo o próprio Tony, ela provavelmente terá uma evolução em 2010… Enquanto muitos lamentam as masélas sociais, Tony cria o seu instrumento e com ele o seu protesto. Salve o movimento Gatorrista Gaúcho que há de dominar o planeta terra – portanto, “Assassino, não seja um, pare com isso deixe viver não faça assim”…

Escrito por Marcos

02/03/2008 em 11:44 pm

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Cartas Desesperadas…

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Uma carta tem como fim expressar o sentimento de angústia de não poder falar aquilo que se quer para alguém. Pelo fato de pressupor uma distância relativa a dois sujeitos, uma carta sempre vai querer dar conta de vários fatos – se possível todos – vividos em uma pequena parcela de tempo. A razão de uma carta é sempre o encanto, é receber a visita de alguém distante, que apenas diz: “Veja só, eu ainda estou vivo e lembro de ti… Veja só como eu estou… Ainda lembras de mim?”. Só é sincera aquela carta enviada sem ser passada a limpo, pois ela reproduz exatamente o diálogo – a voz é a caneta que transita pela folha de papel. Aquele que não envia cartas já escritas se perde em uma idéia maluca de ao mesmo tempo querer ser o sujeito que escreve e o que receberá, transferindo a sua imagem e consciência para um outro, e portanto, sendo a medida de todas as coisas… Quem não envia cartas já escritas tem a pretensão de sentir – tentar – aquilo que o interlocutor sentirá… Em um mundo que a tecnologia substitui o encanto, uma carta enviada para alguém dizendo apenas: “Oi, tudo bem?”, já guarda em si mesmo uma imensa beleza – a expontaneidade expressa em uma folha de papel -, e para o nosso mundo cada vez mais racional-tecnicista, uma carta escrita nesses moldes tem em si mesmo algo de revolucionário.

Porto Alegre, 14 de Abril de 2006.

Escrito por Marcos

02/03/2008 em 12:43 am

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