Variações & Experimentos

Devaneios de uma razão em sua menoridade…

Posts Tagueados ‘knowledge

Entrevista com a filósofa Scarlett Marton

sem comentários

Scarlett Marton é uma das poucas intelectuais uspianas que exige respeito. Especialista em Nietzsche, escritora de alguns do mais importantes livros sobre o filosofo alemão em lingua portuguesa, nesta entrevista a escritora não deixa por menos as questões relativas às pesquisas acadêmicas, o nivel do alunos da gradação de filosofia, a questão da linguística nas obras filosóficas.

A filosofa é editora dos conhecidos (e espantosamente bons) Cadernos Nietzsche do Departamento de Filosofia da USP. Ouça as três partes da entrevista aqui, aqui e aqui. Uma entrevista que mescla Richard Wagner e “Born to be wild” do Easy Rider. Depoimentos interessantes e verdadeiramente dignos, que vale a pena nós ouvirmos. Palavras raras hoje em dia.

Extraído de: http://fortalezanietzsche.blogspot.com

Escrito por Marcos

05/03/2008 em 2:32 am

Uma lição Nietzscheana: A hora má

com um comentário

Gato

“Todo filósofo provavelmente já teve uma hora má, em que pensou: que importância tenho, se não crêem sequer em meus argumentos ruins? – E então passou por ele algum passarinho maldoso e gorjeou: ‘Que importa você? Que importa você’. (Friedrich Nietzsche em “A Gaia Ciência”).

Escrito por Marcos

03/03/2008 em 2:38 am

Publicado em Filosofia

Etiquetado com , , , ,

Para além de uma pedagogia da correção

com um comentário

Ser professor de filosofia não é uma tarefa fácil, ainda mais quando se espera da filosofia, da educação, dos professores a tarefa de “salvarem” os adolescentes, visto que eles “precisam” ser encaminhados para um “bom” caminho, para um futuro cheio de esperanças e alegrias – talvez esse ideal de mundo precise ser questionado, quem sabe não seria interessante perguntar para os próprios adolescentes o que eles querem. Há um tempo atrás um colega meu me disse que a tarefa do professor de filosofia é dar aos seus alunos “a dor do esclarecimento”, ou seja, a tarefa do professor de filosofia é esclarecer para que os alunos sejam esclarecidos e, assim, fazerem por si mesmos – servirem-se corajosamente do seu entendimento. Entretanto, não seria uma contradição ensinar alguém a ser esclarecido, isto é, a se auto-determinar? É possível ensinar o esclarecimento? É uma questão que me inquieta, pois muito antes de esclarecer – se é que isso é possível -, parece que toda a tarefa de um professor de filosofia, seria corrigir; mas corrigir em relação ao quê? Não sei… parece que a tentativa de corrigir algo pressupõe que esse algo estava certo e se desencaminhou, como se houvesse um fim humano, como se a tarefa do professor fosse conduzir o aluno ao seu fim… que fim é esse? Não sei… não sei… Aliás, estou quase certo de que toda filosofia é baseada na idéia de correção: Platão queria trazer à luz aqueles que haviam se cegado no mundo das sombras, Kant queria corrigir a nossa relação sujeito-objeto com a sua revolução copernicana, Nietzsche queria que o homem percebesse que ele é apenas meio para um super-homem, mas que para isso, ele precisaria perceber que o cristianismo enfraqueceu-o; ou seja, parece que todos esses filósofos queriam corrigir o homem. Ora, e nós professores o que fazemos de diferente disso? Quando creio que os meus alunos não possuem a habilidade de argumentação e me dou ao luxo de ensiná-la, o que eu estou querendo? Creio que estou pensando que com essa habilidade eles podem se dar melhor no mundo, mas que direito eu tenho para isso… Novamente estou caindo no paradigma do esclarecimento, pois o ensino está todo fundado na idéia de que estamos preparando os alunos para dar os seus passos sozinhos; entretanto, mais uma vez, eu me pergunto: “É possível esclarecer alguém?”. Acho que não, pois o esclarecimento é servir-se do seu próprio entendimento; talvez quando o aluno diz um não, ele está se servindo do seu próprio entendimento. Quando ele se revolta contra uma regra, ele está se servindo do seu próprio entendimento. Quando ele se nega a fazer uma tarefa, ele está se servindo do seu próprio entendimento… O que nós professores fazemos então? Desesclarecemos, pois corrigimos, encaminhamos, tutelamos, etc… Finalizo aqui dizendo, muito inquieto, que a ação do professor está fundada em uma ética da correção, fazendo com que os alunos encontrem o seu lugar no mundo, pois partimos do pressuposto que o aluno ainda não se achou… Isso não é a minha conclusão, é meramente uma aporia, o limite da minha razão… Uma questão a se pensar: “A idéia de Esclarecimento de Kant, e que influencia muito a nossa prática educativa, é possível?”.
—-
Texto escrito em Agosto de 2007, em pleno estágio de ensino de filosofia.

Escrito por Marcos

01/03/2008 em 3:25 pm

Publicado em Experimentos

Etiquetado com , , ,

O espírito positivo a cavalo no século XXI

sem comentários

Estudo vai mapear cérebro de homicidas

RAFAEL GARCIA – Folha de S. Paulo (26/11/2007)

Projeto de universidades gaúchas examinará mais de 50 menores infratores para investigar base biológica da violência

Grupo vai analisar aspectos genético, psicológico, social e cerebral de adolescentes; secretário da Saúde do RS é um dos mentores do projeto “Eu estava sozinho na rua. Não tinha recurso. Ninguém queria me dar serviço. O que queriam me dar não dava dinheiro. Comecei a traficar, roubar, matar.” A história de D.S., de 17 anos, interno da Fase (Fundação de Atendimento Socio-Educativo, antiga Febem gaúcha) parece ser comum entre as dos mais de 50 adolescentes homicidas que vão ter seus cérebros mapeados por um aparelho de ressonância magnética num estudo em Porto Alegre, no ano que vem.
Cientistas da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e da UFRGS (Universidade Federal do RS) querem saber se o que determina o comportamento de um menor infrator é sua história de vida e se há algo físico no cérebro levando-o à agressividade. “Algo que sempre foi negligenciado foi o entendimento da violência como aspecto de saúde pública”, diz Jaderson da Costa, neurocientista da PUC-RS que coordenará os trabalhos de mapeamento cerebral. A idéia é entender quais pontos são mais relevantes dentro da realidade brasileira na hora de determinar como se produz uma mente criminosa(…)”.

Saiba mais em http://www.crmmg.org.br/Noticias/Saude/news_item.2007-11-26.3284

Nota de Repúdio à Pesquisa

Estudos sobre a “base biológica para a violência em menores infratores”: novas máscaras para velhas práticas de extermínio e exclusão.

É com tristeza e preocupação que recebemos a notícia de que Universidades de grande visibilidade na vida acadêmica brasileira estão destinando recursos e investimentos para velhas práticas de exclusão e de extermínio. A notícia de que a PUC-RS e a UFRGS vão realizar estudos e mapeamentos de ressonância magnética no cérebro de 50 adolescentes infratores para analisar aspectos neurológicos que seriam causadores de suas práticas de infração nos remete às mais arcaicas e retrógradas práticas eugenistas do início do século XX.

Privilegiar aspectos biológicos para a compreensão dos atos infracionais dos adolescentes em detrimento de análises que levem em conta os jogos de poder-saber que se constituem na complexa realidade brasileira e que provocam tais fenômenos, é ratificar sob o agasalho da ciência que os adolescentes são o princípio, o meio e o fim do problema, identificando-os seja como “inimigo interno” seja como “perigo biológico”, desconhecendo toda a luta pelos direitos das crianças e dos adolescentes, que culminou na aprovação da legislação em vigor – o Estatuto da Criança e do Adolescente (…)”.

Saiba mais em http://www.ciespi.org.br/portugues/noticias_006.htm

Escrito por Marcos

17/01/2008 em 1:53 am

Publicado em Sem categoria

Etiquetado com , ,

A vida é um quebra-cabeça

com um comentário

DesbravadorHá um momento na vida em que precisamos pensar e repensar toda a nossa trajetória até então, onde pegamos todas as angústias, frustrações, alegrias, crenças, ideais e até mesmos os sentimentos mais obscuros – colocamos por sobre uma mesa, olhamos e contemplamos a nós mesmos. Sobre essa mesa, após despirmos o nosso ser, há um imenso quebra-cabeça, multicolorido, obscuro, um pouco sem sentido: uma vida pretensamente vista de fora.

É preciso ter força suficiente para pegar cada peça na mão, dar uma olhada mais profunda: analisar, descartar ou guardar – cada peça posta fora é motivo de risada, é passado a ser esquecido, mesmo reconhecendo que em um determinado momento tenha tido alguma importância. Nesse sentido, somos tomados por tal força que nenhuma peça é jogada fora por ressentimento, mas apenas por alegria e reconhecimento de nós mesmos. Algumas peças não são postas fora, remontamos o quebra cabeça, e outras peças guardamos no bolso, reconhecendo que um dia elas terão importância e responderão a algumas lacunas desse imenso mapa inconcluso em forma de quebra-cabeça chamado vida.

Reiniciamos a aventura, montando peça por peça… o mapa começa a ter novas cores, novos amores, novos sentidos, e ainda mais novas angústias – um caminho imenso se abre ao olhos, pássaros cantam de forma tão diferente, antigas pessoas ganham novas cores, antigas idéias remontam novos caminhos; uma constante criação de paisagens é feita, a mão se faz a própria vida, o seu próprio quebra-cabeça – e é preciso ter muita serenidade e coragem para isso!

Veremos que além do que se parece um fim, se abre ainda uma caminho maior, desértico, indescoberto… Nisso tudo, algumas lacunas vão aparecendo e crescendo ainda mais… Lembramos então, que havíamos guardado algumas peças no bolso – muitas peças! Cada lacuna é uma pergunta, e cada peça guardada é uma resposta… Assim encaixamos ali, cada amigo guardado no bolso de nossas memórias, coisas ditas que sempre têm o momento certo para serem úteis… Novamente, o quebra-cabeça toma outra cor, outra alegria, mais ainda sim, a incompletude chama para a andança da vida…

Algumas imensas lacunas se apresentam de maneira tão violenta que um tremor no estômago acusa momentos de tribulações, novos sonhos se perdem, o quebra-cabeça perde as cores, e novamente a inconclusão nos toma de assalto, nos vemos sozinhos, e se perguntamos: “Por quê? Não me encaixo em nada… Sou eu também uma peça desse quebra-cabeça?”… Um deserto por sobre o deserto, tal qual apareceu ao andarilho de Nietzsche, nos aparece, nos vemos assim: sem sentido, totalmente perdidos… Na linha tênue entre a consciência e a desconsciência de nós mesmos – quem disse que sabemos tudo de nós mesmos? Paramos, passam-se anos… e percebemos, olhando para trás – pois o quebra cabeça é como estrada que construímos para a nossa andança -, que cada vez que se encaixamos entre as peças do nosso quebra-cabeça, estávamos de um jeito diferente: uma mesma peça que se encaixava hora de um jeito e hora de outro, mas permanecia o mesmo e ao mesmo tempo diferente… E assim, totalmente entregue à vida, um pouco estóico, esperamos um novo momento, uma nova lacuna, para sacar de nosso bolso um amigo, e sacar de sua alma nós mesmos… Em um movimento constante de junção de peças, criação e amor: a nossa própria vida.

 

Escrito por Marcos

06/01/2008 em 12:07 am

Publicado em Experimentos

Etiquetado com , , ,