Variações & Experimentos

Devaneios de uma razão em sua menoridade…

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Ainda bem que não sou jovem

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Juventude é todo mundo. É essa a conclusão que podemos chegar ao analisar de forma rápida a propaganda do Partido Progressista dedicada à juventude que assisti na quinta-feira, dia 08/10, no intervalo do Jornal Nacional da Rede Globo. Essa conclusão pode ser tirada a partir de uma simples dedução em função do que foi dito ontem. Então vamos lá, tomemos por princípios duas premissas do que foi explicitado na propaganda: “P¹: Ser jovem não é ser de esquerda; P²: Ser jovem é querer ser feliz”.  Ora, com essas duas premissas não se vai muito longe; contudo, se introduzirmos uma terceira premissa, que creio que todo mundo aceita, a saber, “todo mundo quer ser feliz”. Chegamos a conclusão: todo mundo é jovem. Porém, quem é de esquerda, além de não ser jovem é infeliz? É claro que um silogismo não é suficiente para desconstituir algo que é dito, muitas coisas estão para além das simples deduções, mas o fato é que se levarmos às consequências o que foi dito pela propaganda, chegamos a conclusão que é uma peça publicitária preguiçosa, com um discurso simplório e idiota. Qualquer pessoa que pensa sobre a temática juventude pode perceber que a concepção do PP está restrita a um elogio da juventude enquanto algo que pode ser revivido com uma simples posição, com uma simples atitude e não enquanto uma categoria que explicita uma série de complexidades que muitas vezes é vista como problema e solução do caos social. A propaganda progressista instaura uma juventude que quer ser empreendedora, que quer trabalho, que quer ser feliz, ou seja, a concepção de juventude do PP engloba todo mundo, eu, você, o Zé Povinho, etc, quem não quer trabalho? Quem não quer ser feliz?. Porém, implicitamente, segundo a peça publicitária, quem é de esquerda não quer trabalho, não quer ser feliz. Mas como havia dito, não é deduzindo consequências de silogismo que podemos nos colocar a pensar sobre a temática da juventude, que é extremamente complexa, a questão é saber quais as razões que levam um partido a definir juventude em contraposição à esquerda. Ora, a resposta, a meu ver, parece ser a seguinte: grande parte dos movimentos que pautam as políticas públicas de juventude são de partidos de esquerda, a UJS (União da Juventude Socialista), por exemplo, teve uma grande participação na constituição do Plano Nacional de Juventude e, ademais, se coloca como a grande interlocutora do governo no que diz respeito a esse tema – por razões óbvias, o apoio ao governo Lula. Além disso, grande parte dos movimentos contestadores são constituídos por jovens que, obviamente, se dizem de esquerda. Podemos dizer que a posição do PP no que diz respeito a juventude tem como finalidade criticar a esquerda, nada além disso.  Ora, Se todo mundo é jovem porque quer ser feliz, e se ser jovem não é ser de esquerda, o que faziam aquelas centenas de pessoas em Brasília no ano passado na 1ª Conferência Nacional de Juventude? É uma pergunta importante a ser pensada… Eles não queriam um mundo melhor, a felicidade? Quero finalizar dizendo que não sou da UJS nem de nenhum partido, tampouco poderia ser colocado dentro do saco dos esquerdistas (me nego a participar de um conceito que tem como extensão o presidente Lula, por exemplo), a meu ver, ser de esquerda é ser inquieto com o presente, percebendo que problemas sociais não podem ser resolvidos na perspetiva dos indivíduos, que é preciso instituir um valor comum, que pensa que participar e agir é bem melhor do que ser representado, portanto, na atual conjuntura, um Governo jamais vai ser de esquerda. Assim como a propaganda do PP, também não acredito que ser jovem é ser de esquerda ou usar camisa do Che Guevara , mas elaborar um conceito de juventude a partir da negação disso é uma bestialidade. Fico aliviado em saber que não sou jovem para o PP… Talvez muitos não sejam e nem queiram ser… Ainda bem.

Escrito por Marcos

10/10/2009 em 8:03 pm

Tancredo Neves contra a juventude do Rock In Rio

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Folha de São Paulo, 04/01/1985, página 2.

Folha de São Paulo, 03/01/1985, página 2.

Como já é sabido, o Ano Internacional da Juventude proclamado pela ONU foi em 1985, e no Brasil, o ano da juventude foi o ano de 2006. Fiquei me perguntando: “21 anos de diferença? Não se discutia juventude por aqui?”. É, realmente, pensar políticas públicas de juventude, não era um tipo de reflexão presente no Brasil de 85. Porém, um fato marcou bastante o Brasil, e estava relacionado à juventude: o Rock’n'Rio. O Rock’n'Rio aconteceu concomitantemente – por coincidência? – à eleição indireta para presidência do Brasil… O nosso presidente que morreu antes de assumir, perguntado sobre que juventude era a juventude que ele considerava importante, deu a resposta na matéria acima.

Escrito por Marcos

11/09/2009 em 6:25 pm

Rock In Rio com Tancredo Neves

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Inquietado pelo fato de o “Ano Internacional de Juventude”, que foi em 1985, ter passado em Branco no Brasil, resolvi fazer algumas pesquisas.  Primeiramente, a juventude com Tancredo Neves no Brasil…

Escrito por Marcos

11/09/2009 em 6:23 pm

Juventude, Biopolítica e Capital Social*

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As políticas para a juventude apareceram com força no cenário público nacional em meados da década de 90, ganhando maior visibilidade na década atual. Antes disso, a preocupação com a juventude estava presente na Constituição Federal (1988) e no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), porém, na perspectiva da proteção, sem nenhuma menção ao protagonismo juvenil, conceito presente nas políticas públicas atualmente. Ou seja, nesse período – aproximadamente duas décadas – o sujeito das políticas públicas de juventude é reformulado: o jovem passa a ser visto como um importante ator político. O presente trabalho pretende apresentar um estudo inicial, analisando a partir de um referencial genealógico a constituição de um sujeito jovem na transição do modelo da proteção ao modelo do capital social. Ao considerarmos o protagonismo juvenil e o empowerment (empoderamento) importantes analisadores conceituais, tentaremos refletir sobre que “social” é esse, quando nos referimos à juventude como “capital social”. Dessa maneira, a reflexão de Michel Foucault no curso “Em defesa da Sociedade” nos orientará para pensarmos o paradoxo de uma juventude que, por um lado é um problema para a sociedade, e, por outro, é um importante elemento de transformação social – em defesa da sociedade. A série “proteção – protagonismo juvenil – defesa social” explicita certa saída de uma menoridade, isto é, o jovem passa a ser pensado em termos de maioridade política. Assim, nos amparando na releitura de Foucault do texto “O que é o esclarecimento” de Immanuel Kant, onde o filósofo alemão reflete sobre o esclarecimento (a saída da menoridade da razão), visualizamos a concepção das políticas públicas atuais, presente em textos governamentais, como o esclarecimento pela via do Estado. Enfim, a transição de um modelo da proteção para o modelo do capital social representa o movimento do esclarecimento? O Estado, em função disso, não passa a ser um gestor das liberdades juvenis? Eis a questão que colocamos em análise.

*Resumo do trabalho que vou apresentar no XV Encontro Nacional da Associação Brasileira de Psicologia Social.

Escrito por Marcos

23/08/2009 em 8:04 pm

De volta ao esclarecimento: a juventude em defesa da sociedade

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O curso “Em defesa da Sociedade” ministrado por Michel Foucault em 1976 no Collège de France pode ser considerado o momento de sua orientação para a pesquisa daquilo que ele chamou de biopolítica, isto é, a preocupação, por parte do Estado, com a vida em geral, a vida do ser enquanto vivente. Essa nova lógica política é “uma tomada do poder sobre o homem enquanto ser vivo, uma espécie de estatização do biológico (…)” (FOUCAULT, 1999, p.286). Contudo, essa definição, nesse curso, ainda não está clara, o próprio Foucault (2008) reconhece isso. A definição aparecerá melhor elaborada no curso do ano seguinte1, onde biopoder (biopolítica) é concebido como “o conjunto dos mecanismos pelos quais aquilo que, na espécie humana, constitui suas características biológicas fundamentais vai poder entrar numa política, numa estratégica política, numa estratégia geral de poder” (FOUCAULT, 2008, p.3).

Essa nova lógica de poder estaria orientada para o corpo social como um corpo biológico, isto é, defender a sociedade seria não deixar com que essa sociedade adoecesse. Se levarmos em conta as políticas eugênicas da primeira metade do século XX, o nazismo, por exemplo, temos a massa como um corpo, que deve ser cultivado em termos naturais, nesse sentido, a medicina ganha um poder estetizante: melhorar a imagem de uma sociedade é cuidar para que ela não adoeça como um todo – os judeus, para o nazismo, eram como ratos que infectavam estética e eticamente a sociedade alemã2, eles deviam ser extirpados, essa era uma lógica biopolítica por excelência. Todavia, é preciso ter em conta que o que emerge com essa lógica do biopoder é um governo sobre a população, que passa a ser um campo com características próprias: mortalidade, taxas de desemprego, doentes, etc; um imbricamento entre política e vida natural, uma politização da vida; portanto, o governo visa à gestão da população para que ela dure no tempo, não pereça, viva, eis a lógica do governo com o advento do biopoder.

Embora o presente texto tenha iniciado com uma breve definição de biopolítica para Foucault, a nossa ideia é tentar pensar de que forma esse conceito pode instrumentalizar algumas reflexões sobre o temática das políticas públicas de juventude. Primeiramente, é preciso explicar que a minha pesquisa é voltada para o aparecimento daquilo que passou a se chamar de Protagonismo Juvenil, conceito explicitado no final da década de 80, que visa orientar-se para o que as Agências de Cooperação Internacional (Organização das Nações Unidas, Banco Mundial, Unesco, etc) chamavam de empowerment (IULIANELLI, 2003). Segundo PEREIRA (2009):

O empoderamento possibilita tanto a aquisição da emancipação individual, quanto à consciência coletiva necessária para a superação da ‘dependência social e dominação política’. Enfim, superação da condição de desempoderamento das populações pobres (…).

Sendo assim, no caso da juventude, se reconhece um problema de antemão, pois se é preciso empoderar os jovens, então eles não tem poder de decisão sobre o enfrentamento dos seus próprios problemas. Assim, o empoderamento3 significa, por um lado, movimento de emancipação, e, por outro, reconhecimento de uma injustiça social.

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Escrito por Marcos

05/08/2009 em 6:26 pm

Oficina sobre Trabalho

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Assuntos tratados na oficina: Mercado de trabalho na restinga; Trabalho formal(C/ carteira de trabalho assinada); Trabalho informal(S/ carteira de trabalho assinada); Trabalho escravo; Exploração de trabalho infantil e na adolescência; Os direitos das crianças; Os benefícios da carteira de trabalho(direito a férias, cargo horário,salário.); Leis de trabalho(as leis trabalhistas existem para garantir os direitos dos trabalhadores).

Comércios da restinga super kam , chaveiro, farmácia, locadora de filmes, loja de artesanato, farmácia e as escolas abrem espaço para o mercado formal de trabalho

Venda de dvd e cds nas ruas mercado informal

A carteira de trabalho é direito, só que nem todo empregador inclusive os governos respeitam esses direitos conquistados houve muita luta,o povo teve que ir pra rua pra poder reivindicar os direitos trabalhistas , que ainda hoje não é respeitado e é muito discutido.

Questionário

1. Por que as crianças trabalhavam muito? Por que não existia uma lei que proibisse as crianças de trabalhar

2. As crianças estudavam naquela época ? as crianças estudavam muito raramente.só estudava quem tinha dinheiro pois não existia escola publica.

3. Qual o intuito do tema trabalho na oficina?é descutir com as crianças o que elas conhecem sobre o direito delas.

4. Quais o direito das crianças ?existe o eca (estatuto da criança e do adolescente.)ele garante vários direito para as crianças :saúde,lazer,cultura,proteção,contra exploração.

Produzido por Maxwell, Douglas, Jéssica.

Escrito por Marcos

23/08/2008 em 5:26 pm

Publicado em Oficinas

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