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VII Semana Acadêmica da Filosofia da UFRGS
VII Semana Acadêmica da Filosofia – UFRGS

- Image by Vejo tudo e não morro via Flickr
Este ano, a VII Semana Acadêmica da Filosofia da UFRGS dá seqüência as propostas de (i) valorizar a produção acadêmica no âmbito da pesquisa na área de filosofia – mas também em áreas que se avizinham da filosofia, e que exploram tal vizinhança, e (ii) incentivar à maior inclusão dos alunos de graduação no cotidiano da pesquisa acadêmica em filosofia. Desse modo, estamos recebendo trabalhos de estudantes de graduação visando incluir não apenas resultados pontuais de pesquisa ou apresentação de monografias concluídas, mas resenhas, intenções de pesquisa, explorações sobre metodologia de pesquisa, apresentação do plano geral de projetos de pesquisa e trabalhos em progresso.
Regulamento: 2009_REGULAMENTO_VII_SAF
Formulário de inscrição: formulario_de_inscricao_vii_saf_ufrgs_2009
Mais informações: Blog do Cadafi-UFRGS ou pelo email: cadafi.ufrgs@yahoo.com.br.
Projeto Filosofia na Web – UNISINOS
O projeto FiloWeb – Filosofia na Web tem como objetivo difundir e cultivar a cultura e o debate filosófico acadêmico, através da transmissão ao vivo via Web e da disponibilização on line de vídeos de cursos, seminários, palestras, aulas, eventos e atividades que se desenvolvem no âmbito do Curso de Filosofia e do PPG em Filosofia da Unisinos e na atuação de seu corpo docente e ilustres convidados. Os vídeos digitais aqui disponibilizados podem ajudar a desenvolver projetos didático-pedagógicos, de ensino, pesquisa e aprendizagem e refletem em sua reprodução técnica a natureza destas diversas formas de comunicação filosófica.
Clique aqui para visitar o site do Projeto.
Alguns sorrisos devem ser eternos…
Um longo tempo transcorreu em segundos – foram lembranças de uma risada extravagante e de uma alegria singular. Ainda ontem me peguei pensando: a cabeça pesou e minhas mãos foram banhadas por uma lágrima que não saiu… talvez não seja lamentação, nem seja dor, é um sorriso permanente, que a cada lembrança, serás poesia.
(Em memória de Cácio Gabriel)

Marcos, Roberto, Déia e Cácio, em uma bela tarde de 2004.
O Lugar do Poder: Leituras de Étienne de La Boétie
O encontro com Guattari e Deleuze*
Mais um dia chuvoso em Paris: o frio no rosto é tão gostoso. Eu estava meio apressado, pois, tinha marcado um encontro com Guattari em um bar próximo dali. Não ia conseguir chegar na hora marcada, ia me atrasar muito; resolvi ligar para ele e avisá-lo: “- E aí Guattari, tudo bem? Lembra-se de mim… aquele estudante que marcou uma conversa contigo?”. Ele disse que sim, e já estava a minha espera, e que tinha levado um amigo dele, o Deleuze. Eu já havia conhecido um livro do Deleuze, chamado “Nietzsche e a Filosofia”, sabia o quanto ele gostava do Nietzsche e com certeza, a identificação comigo era enorme, pois eu também tinha uma caidinha por Nietzsche. Falei para Guattari que dentro de meia hora eu estaria lá no lugar marcado, e ele falou que sem problema, pois ele estava em um bom papo com o Deleuze – estavam falando sobre o livro que eles estavam escrevendo, o “O que é filosofia?”. Tratei de correr pois além do tema da subjetividade, o tema filosofia me interessava muito.
Passaram-se vinte e cinco minutos, e eu cheguei lá, molhado pela chuva e suado ao mesmo tempo – puxa que corrida! Cumprimentei o Guattari, e ele tratou de me apresentar o Deleuze. Eu falei que eles podiam continuar conversando que eu esperaria tranqüilamente, afinal de contas, eu é que havia atrasado e eles teriam toda a razão em terminar o seu diálogo.
Deleuze estava falando de uma tal “Geofilosofia”, e eu pensei: – Filósofo é foda! Sempre inventando conceitos novos. Eu fiquei só ouvindo e nem falei nada, pois eu sou um mero estudante de filosofia em início de curso, e quem estava falando era um professor de filosofia e um Psicanalista conceituado. Esperei o assunto acabar… Guattari notou que eu estava perdido no assunto, e me perguntou: – “O que tu acha disso Marcos? Do que estamos conversando, você não queria saber sobre as máquinas… então, somos nós as máquinas… você que ouve produz em ti mesmo algo, todas essas palavras e conceitos vão ter um significado para ti, você vai ver”. Eu dei uma risadinha, fazendo que eu tinha entendido algo. Ele continuou falando: – “Vê essa nota de dinheiro na minha mão? Quem produz essa idéia de que ela é a salvação e o caminho para a felicidade? Já parou para pensar sobre isso?” Eu disse que sim, mas não conseguia compreender… só sei que nada sei – Sócrates sempre me salva nessas horas.
Deleuze pediu a palavra: – “Marcos, será que as pessoas criam tiram de si essas idéias capitalistas? Quando a gente tentou a revolução, éramos loucos que queriam acabar com toda uma maneira de ver o mundo, uma subjetividade que paira por sobre as nossas cabeças e que nos produz, e que nos torna tão submissos a idéias que desde muito tempo causam guerras e mais guerras… acreditávamos em um socialismo sim, alguns nos chamavam de “Anarcos-desejantes” , sempre temos que ser rotulados. E Guattari completou dizendo: – “Não conseguimos a revolução, mas ela está em curso, de uma outra maneira.
Naquela altura eu nem queria mais saber de entrevista, o assunto me interessava muito. Eu queria que o Guattari falasse sobre a sua atuação no movimento de Rádios Livres, eu sabia que ele atuava em uma rádio chamada: Rádio Tomate. E eu perguntei, meio sem jeito: – “Qual era o papel das Rádios Livres em uma Revolução?” . Ele falou que uma rádio livre é uma grande máquina de produção de subjetividade, que trabalha com conceitos muito diferentes dos quais estamos acostumados, o espírito de coletividade, a organização horizontal, a autogestão, conceitos de extrema importância para uma transformação social. Podemos dizer que uma rádio livre faz uma guerrilha subjetiva, combatendo a subjetividade capitalística que paira sobre as nossas cabeças. Nesse momento eu consegui entender o que era subjetividade, me parece que é todo uma forma de pensar e viver que aprendemos desde os nossos primeiros passos no mundo. Eu já havia lido alguma coisa sobre isso. E sobre as máquinas… tudo é máquina! Isso eu havia entendido.
Havia transcorrido mais de uma hora e o papo parecia mal ter começado, mesmo assim, eu precisava ir embora pois o meu vôo de volta ao Brasil estava marcado para as 20h, e já eram 18:30h. Eu havia gravado toda a nossa conversa e tenho certeza que muita coisa eu não tinha entendido, mas que quando eu ouvisse a fita eu conseguiria compreender – será mesmo? Precisava me despedir deles… Guattari me disse que foi legal ter conversado com alguém do Brasil, país que ele tinha um certo carinho. Eu falei para Deleuze que iria esperar o livro deles sobre filosofia, e eles disseram que estava dando um grande trabalho esse livro e que eles estavam fazendo um tremendo esforço para que seja um livro que ressuscite a filosofia, que estava sendo assassinada sistematicamente por muita gente. Encerrei dizendo: – “Muito obrigado meus mestres!”. Deleuze, falou: – “Não se esqueça o que falou o nosso Nietzsche: -” Recompensa mal um mestre aquele que se contenta em ser discípulo. Espero que você pise em nossa filosofia!” Adeus! E tudo se acabou assim…
* Texto produzido no segundo semestre de 2004 para a disciplina de Teoria da Comunicação.
Desabafo…
A suspeita de que pesquisas sobre “história das idéias” não colam no Brasil é facilmente atestada ao visitar os programas de pós-graduação em Filosofia nas diversas universidades. Questões mais amplas sobre o pensamento são tarefas de final de carreira, na UFRGS, por exemplo, desde o início da minha graduação, aprendi que filosofia só se faz depois do doutorado, que na graduação teríamos que ser “humildes e caridosos” com os nossos autores, e que “sobre aquilo que não pode se falar deve se calar”; contudo, o “se calar” é muito mais fruto de uma cultura opressora do que de um exercício de humildade. Dito isso, penso que um elogio ao erro ou a extravagância do pensamento talvez seja a possibilidade de se criar novos nichos de pensamento, novas subversões das idéias, que ao invés de apresentar um caminho, fragmento-o em vários.
Esse parágrafo por demais panfletário é em grande parte o que tenho pra dizer sobre a filosofia que aprendi, e sobre um tipo de filosofia que deve ser apenas meio e não fim – os exegetas, ou advogado dos filósofos, tem uma função, eles nos poupam de ler “profundamente” um autor, eles nos poupam de ficar horas, dias, meses e anos em cima de um parágrafo de um texto, em suma, eles tem uma nobre função, que é preparar o terreno para que se faça filosofia de maneira um pouco mais criativa, não somente como um caranguejo que caminha pra frente de costas, mas como alguém que, temerariamente (entenda também corajosamente), tenta olhar pra frente, que literalmente joga a escada fora.
Lembro que quando escolhi o curso de filosofia, em agosto de 2003, muito motivado pela leitura do livro “Sobre a construção do sentido” de Ricardo Timm de Souza, tinha em mente uma grande transformação que poderia acontecer comigo. Relendo as coisas que escrevia, que como esse texto, parecem superficiais demais, percebo o potencial criativo que se perdeu, ou seja, o recalque (ou pudor filosófico) passou a fazer parte da minha psicologia, mas Filosofia não se faz com medo. Já não sei distinguir se a relação que tenho com os meus professores são muito mais de medo do que de respeito: aprendi a silenciar para não ser humilhado. Aprendi a concordar para não ser silenciado… E que venham as contrariedades.
Clique aqui para ouvir o texto
Hilan Bensusan – Paraninfomania
Discurso de paraninfo para a turma de filosofia em 1/2008, UnB.
Um eu em movimento
Dentre as várias pessoas que sou, prevalece um amor por aquela que sente-se mais perdida em mim, pretendendo-se reconhecer em meio a imensidão do meu vago ser; mesmo assim, a pretensão de desbravar esse imenso universo, parece uma missão quase impossível, pois quanto mais me conheço, mais me sei desconhecido.

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