Variações & Experimentos

Devaneios de uma razão em sua menoridade…

Posts Tagueados ‘devaneios

Mais um eclipse, mais um eclipse

sem comentários

Contam-nos que amanhã a Lua nascerá apagada pela metade, será uma noite e tanto… não fosse a previsão de chuva. Soube a lua esconder de nós o seu apagamento, restando-nos apenas imaginar o que poderá ser, sem nada ver. Geralmente os eclipses são previsíveis, se percebe lentamente o movimento de desaparecer e aparecer da Lua; contudo, no eclipse de amanhã teremos algo novo, que será esquecido por todo o tempo: um eclipse invisível aos nossos olhos, ironicamente escondido por trás das núvens.

Escrito por Marcos

16/08/2008 em 3:47 am

Publicado em Experimentos

Etiquetado com , ,

Tudo se tornou possível

com um comentário

Bem, parece que depois de Auschwitz tudo se tornou possível… Vivi uma experiência fora do comum nessa semana. No domingo assassinaram um jovem com o nome idêntico ao meu, fato que se tornou matéria do Correio do Povo e do Diário Gaúcho, desencadeando um monte de ligações para a minha casa e o meu celular; passei pela experiência inusitada de ter que avisar as pessoas que eu estava vivo – o bom foi que deu para medir o que aconteceria caso eu morresse. Porém, o que me causou uma certa perplexidade foi a absolvição de Renan Calheiros, assim como a sua cara de pau de se comparar a Sócrates há umas semanas atrás – é claro que a ignorância do povo é tanta que talvez pensassem que Renan tinha se comparado ao nosso grande jogador de futebol médico, que jamais se reivindicou, creio eu, um parteiro de idéias como o pai do pensamento ocidental. Nada mais parece nos espantar. Hoje por exemplo, noticiaram que uma empregada foi atropelada e arrastada por 150 metros por uma quadrilha de assaltantes, ontem, eu assisti um motoqueiro “deslizar” pelo asfalto da Oswaldo Aranha, tudo tão simples, comum. Enquanto isso, todos os canais de televisão tentam decifrar quem assassinou Thaís em “Paraíso Tropical”, além disso, há uma mês atrás, Leão Lobo propõe uma ética do fofoqueiro. Não há instância de apelação, a bestialidade humana tomou corpo e se efetivou, agora só nos resta esperar os cavaleiros do apocalipse e a volta de J.C… Resta-nos a fé. Mas não quero deixar de lembrar o falecimento de Pedro de Lara, que nos fazia sorrir com a sua truculência no célebre “Show de Calouros”, nos fazendo esquecer de tudo e rir… nada melhor do que isso nesse momento.

Escrito por Marcos

15/09/2007 em 9:55 pm

Publicado em Experimentos

Etiquetado com ,

Levemente cético

sem comentários

A todo argumento pode-se opor um argumento da mesma força” (Sexto Empírico).

Desde os meus primeiros passos filosóficos, sempre tive uma certa queda pelo ceticismo, não aquele ceticismo que refuta-se a si mesmo, e que todo aluno de filosofia sabe refutar; mas aquele que diz que o homem não é capaz de chegar à Verdade (com “v” maiúsculo), que vê em toda verdade algo “demasiado humano”, isto é, nada mais do que uma crença humana que serve para tornar a nossa vida mais leve. Desde que a razão nasceu, o homem se viu diante de um mundo, de uma vida, que precisava ser inteligível, concebível, ou seja, o homem deu sentido ao caos da vida – parece que nesse momento é que demos a luz a Verdade. Contudo, a verdade triunfou com a sua espada, que decepava toda a “ignorância da nossa alma”: foi motivo de guerras e ainda é motivo de todos os fundamentalismos que ainda assolam o nosso tempo… o que já foi verdade hoje já não é; sendo assim, como podemos ter certeza que as nossas “verdades” não serão para os nossos herdeiros meras tolices? Portanto, o que é a Verdade? Aquilo que jamais saberemos… quem sabe um silêncio… “Sobre aquilo que não se pode falar, deve-se calar” (Wittgenstein).

Escrito por Marcos

08/09/2007 em 9:57 pm

Publicado em Experimentos

Etiquetado com , ,

Um inferno entre o homem e o super-homem

com 3 comentários

… Precisava ele gritar mais forte do que o possível. Na verdade a sua angústia e o seu orgulho não saiam de seu corpo, tudo explodia em sua alma. Nunca fora tão difícil externar o que sentia, até porque o ser humano deveria ser superado, e por conseqüência disso, ele mesmo… isso significava o seu fim. Resolveu reconhecer a si mesmo, e um abismo lhe apareceu aos olhos, perdeu-se a si mesmo – um mundo até então nunca descoberto. No fundo sentia que para se ser o Super-homem era preciso ter sido um homem – o último homem -, o que hoje ele já era, sendo assim, meio caminho estava andado.

A dificuldade aumentou ao saber que ele seria um único, pois o super-homem deve ser mais do que todos e aí está a doutrina do super-homem: superar a todos e a si mesmo. Talvez superar a todos seja muito mais fácil do que superar a si mesmo – tão solitário e tão egoísta -, o seu grande problema.

Voltou-se para o abismo até então desconhecido e se viu tão ridículo, tão medíocre, tão humano. Onde estava o super-homem? Dentro de si? Para ele era preciso destruir consigo mesmo, um certo suicídio – não o que busca a morte enquanto a solução, mas o que busca a sua própria negação enquanto afirmação, o que soa um tanto paradoxal.

Em sua mente brotavam questionamentos… Voltar contra a sua própria cabeça a arma do super-homem? Viver uma vida que nada mais seria do que a negação de um ontem pela afirmação de um amanhã? Guerrear consigo mesmo? E o mundo lá fora, não existe?

Esse homem que até então aspirava a super-homem se viu tão sozinho, tão orgulhoso de si mesmo, uma certa auto-suficiência, pois quem se supera  não necessita de nada além de si - os outros são meras perspectivas vazias que simplesmente balizam as nossas vidas.

O mundo dos demasiados humanos se voltou contra ele, já não tinha mais olhos para nada, buscava a si mesmo: uma ânsia de se saber. A idéia de superação lhe fazia ser uma mera negação de algo que ele não conhecia. O mundo lhe excluiu ou quem sabe foi o contrário? Viu-se doente, a doença do ideal que ele tanto condenava parecia tomar conta do seu ser, o super-homem era o seu ideal, a verdadeira negação da vida…

Em uma noite, em um daqueles dias em que ele andava cambaleando pelas ruas de seu mundo, conheceu um sábio que lhe fez pensar – aquelas pessoas que destroem a sua vida para erigir sobre ela algo novo. O diálogo foi rápido, mas muito significativo, pois não tinha o pudor dos amigos de longa data, que apenas querem preservar uma amizade, no fundo o sábio não tinha nada a perder… Para os olhos do sábio o super-homem era tão homem, mera criação, talvez uma poesia vagando por dentro de uma alma vazia.

Viu-se novamente tão humano, demasiadamente humano. Já não era mais possível superar a si mesmo, as tentativas sempre resultaram em estagnação, o super-homem repousou…

Depois disso a vida passou a ter um fim em si mesma: reconhecer o mundo e aceitá-lo enquanto tal. Desde já não havia para ele mais um super-homem, e sim um mero ser humano… Que inventou para si um ideal: uma mera referência a ser buscada, um super-homem.

Escrito por Marcos

12/10/2005 em 3:06 am

Publicado em Experimentos

Etiquetado com , , ,