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Devaneios de uma razão em sua menoridade…

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O encontro com Guattari e Deleuze*

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Mais um dia chuvoso em Paris: o frio no rosto é tão gostoso. Eu estava meio apressado, pois, tinha marcado um encontro com Guattari em um bar próximo dali. Não ia conseguir chegar na hora marcada, ia me atrasar muito; resolvi ligar para ele e avisá-lo: “- E aí Guattari, tudo bem? Lembra-se de mim… aquele estudante que marcou uma conversa contigo?”. Ele disse que sim, e já estava a minha espera, e que tinha levado um amigo dele, o Deleuze. Eu já havia conhecido um livro do Deleuze, chamado “Nietzsche e a Filosofia”, sabia o quanto ele gostava do Nietzsche e com certeza, a identificação comigo era enorme, pois eu também tinha uma caidinha por Nietzsche. Falei para Guattari que dentro de meia hora eu estaria lá no lugar marcado, e ele falou que sem problema, pois ele estava em um bom papo com o Deleuze – estavam falando sobre o livro que eles estavam escrevendo, o “O que é filosofia?”. Tratei de correr pois além do tema da subjetividade, o tema filosofia me interessava muito.

Passaram-se vinte e cinco minutos, e eu cheguei lá, molhado pela chuva e suado ao mesmo tempo – puxa que corrida! Cumprimentei o Guattari, e ele tratou de me apresentar o Deleuze. Eu falei que eles podiam continuar conversando que eu esperaria tranqüilamente, afinal de contas, eu é que havia atrasado e eles teriam toda a razão em terminar o seu diálogo.

Deleuze estava falando de uma tal “Geofilosofia”, e eu pensei: – Filósofo é foda! Sempre inventando conceitos novos. Eu fiquei só ouvindo e nem falei nada, pois eu sou um mero estudante de filosofia em início de curso, e quem estava falando era um professor de filosofia e um Psicanalista conceituado. Esperei o assunto acabar… Guattari notou que eu estava perdido no assunto, e me perguntou: – “O que tu acha disso Marcos? Do que estamos conversando, você não queria saber sobre as máquinas… então, somos nós as máquinas… você que ouve produz em ti mesmo algo, todas essas palavras e conceitos vão ter um significado para ti, você vai ver”. Eu dei uma risadinha, fazendo que eu tinha entendido algo. Ele continuou falando: – “Vê essa nota de dinheiro na minha mão? Quem produz essa idéia de que ela é a salvação e o caminho para a felicidade? Já parou para pensar sobre isso?” Eu disse que sim, mas não conseguia compreender… só sei que nada sei – Sócrates sempre me salva nessas horas.

Deleuze pediu a palavra: – “Marcos, será que as pessoas criam tiram de si essas idéias capitalistas? Quando a gente tentou a revolução, éramos loucos que queriam acabar com toda uma maneira de ver o mundo, uma subjetividade que paira por sobre as nossas cabeças e que nos produz, e que nos torna tão submissos a idéias que desde muito tempo causam guerras e mais guerras… acreditávamos em um socialismo sim, alguns nos chamavam de “Anarcos-desejantes” , sempre temos que ser rotulados. E Guattari completou dizendo: – “Não conseguimos a revolução, mas ela está em curso, de uma outra maneira.

Naquela altura eu nem queria mais saber de entrevista, o assunto me interessava muito. Eu queria que o Guattari falasse sobre a sua atuação no movimento de Rádios Livres, eu sabia que ele atuava em uma rádio chamada: Rádio Tomate. E eu perguntei, meio sem jeito: – “Qual era o papel das Rádios Livres em uma Revolução?” . Ele falou que uma rádio livre é uma grande máquina de produção de subjetividade, que trabalha com conceitos muito diferentes dos quais estamos acostumados, o espírito de coletividade, a organização horizontal, a autogestão, conceitos de extrema importância para uma transformação social. Podemos dizer que uma rádio livre faz uma guerrilha subjetiva, combatendo a subjetividade capitalística que paira sobre as nossas cabeças. Nesse momento eu consegui entender o que era subjetividade, me parece que é todo uma forma de pensar e viver que aprendemos desde os nossos primeiros passos no mundo. Eu já havia lido alguma coisa sobre isso. E sobre as máquinas… tudo é máquina! Isso eu havia entendido.

Havia transcorrido mais de uma hora e o papo parecia mal ter começado, mesmo assim, eu precisava ir embora pois o meu vôo de volta ao Brasil estava marcado para as 20h, e já eram 18:30h. Eu havia gravado toda a nossa conversa e tenho certeza que muita coisa eu não tinha entendido, mas que quando eu ouvisse a fita eu conseguiria compreender – será mesmo? Precisava me despedir deles… Guattari me disse que foi legal ter conversado com alguém do Brasil, país que ele tinha um certo carinho. Eu falei para Deleuze que iria esperar o livro deles sobre filosofia, e eles disseram que estava dando um grande trabalho esse livro e que eles estavam fazendo um tremendo esforço para que seja um livro que ressuscite a filosofia, que estava sendo assassinada sistematicamente por muita gente. Encerrei dizendo: – “Muito obrigado meus mestres!”. Deleuze, falou: – “Não se esqueça o que falou o nosso Nietzsche: -” Recompensa mal um mestre aquele que se contenta em ser discípulo. Espero que você pise em nossa filosofia!” Adeus! E tudo se acabou assim…

* Texto produzido no segundo semestre de 2004 para a disciplina de Teoria da Comunicação.

Escrito por Marcos

13/11/2008 em 12:17 am

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Filosofia e Vida

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Escrito por Marcos

09/05/2008 em 1:25 pm

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Entrevista com o filósofo Bento Prado Jr. sobre Deleuze

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Entrevista a Cássio S. Carlos, Folha de S. Paulo, 2 de junho de 1996

O filósofo Bento Prado Jr., professor da Universidade de São Carlos (SP), compartilha de longa data com Gilles Deleuze o interesse pela obra do francês Henri Bergson. Em sua tese de livre-docência na USP, defendida em 1964 e publicada em 1989 com o título “Presença e Campo Transcendental – Consciência e Negatividade na Filosofia de Bergson”, Prado Jr. examinava a tentativa de superação, pela metafísica vitalista de Bergson, do dualismo entre sujeito e objeto. Dois anos depois, Deleuze publicaria sua análise da obra bergsoniana, em vários pontos coincidente com a tese de Prado Jr. Um novo encontro entre os dois pensadores acontecerá na palestra programada para os “Encontros Internacionais Gilles Deleuze”. Prado Jr. examinará aspectos do autor de “Mil Platôs” na conferência intitulada “Deleuze: da História da Filosofia à Filosofia”. Em entrevista por escrito à Folha, Prado Jr. analisa em detalhe o projeto filosófico de Deleuze e avalia os significados de sua obra.

(Cássio Starling Carlos)

Folha – Para Foucault, “um dia, talvez, o século será deleuziano”. Que lugar Deleuze ocupa na filosofia do século 20 e que lugar ele deveria ocupar na filosofia futura?

Bento Prado Jr. – É cedo ainda para decidir sobre o lugar de Deleuze na filosofia do século 20. Para assim situar um contemporâneo nosso, seria preciso que sobrevoássemos nosso tempo e a nós mesmos. “A fortiori” é rigorosamente impossível antecipar o balanço que o século 21 fará do nosso (Bergson, numa entrevista, recusou-se a responder a alguém que lhe perguntava quais seriam os traços essenciais do teatro do futuro -e acrescentou que se pudesse antecipá-los faria esse teatro, que se tornaria presente; do mesmo modo, se eu pudesse antecipar a perspectiva da filosofia do século 21, eu a escreveria, trazendo-a para o século 20). De qualquer modo, algo pode ser dito: a obra de Deleuze percorre a contracorrente o movimento dominante da filosofia na segunda metade de nosso século, que se caracteriza pela tecnificação crescente de seus “métodos” e pela correspondente evaporação de seu assunto real: como o Deus de Aristóteles, essa filosofia “non curat sublunaria”. Toda sua obra, mesmo os livros consagrados de história da filosofia, visa, em última instância, a clarificação de nossa experiência do mundo contemporâneo -política, ciência, arte. Tudo isso guiado pela intenção de detectar a lógica que comanda -no limite, o capital- o que se dá, nessa experiência, como opacidade e mutilação. A célebre frase de Foucault -foi ele mesmo que o declarou- deve ser entendida “cum grano salis”: mais do que uma “boutade”, uma provocação contra os inimigos dessa concepção desmistificadora da filosofia que partilhava com seu amigo Deleuze.

Folha – O sr. é autor de um trabalho soobre Bergson, “Presença e Campo Transcendental”. Como avalia a apropriação que Deleuze faz da obra bergsoniana?

Prado Jr. – Antes de apropriar-se da filosofia de Bergson, Deleuze escreveu alguns ensaios e um livro sobre Bergson como historiador da filosofia (embora seja preciso nuançar, como faremos logo adiante), que seguramente estão entre os mais notáveis (elite da elite) da enorme bibliografia consagrada ao autor de “Matéria e Memória”. Devo dizer que meu próprio livro deve enormemente ao pequeno ensaio de Deleuze “La Conception de la Différence Chez Bergson”, de 1956. E acrescento que, se Deleuze tivesse publicado seu “Le Bergsonisme” em 1964 e não em 1966, eu teria perdido o assunto de minha tese. Mas, o que importa é que, fornecendo uma interpretação inspirada e rigorosa da filosofia de Bergson, Deleuze a articula com outras filosofias (Nietzsche, William James, Whitehead, Hume…), montando um dispositivo de iluminação mútua e cruzada em rede, criando assim o campo de uma nova iniciativa de pensamento. História da filosofia e filosofia se entrecruzam, a ponto de se tornarem indiscerníveis. Respondendo literalmente a pergunta, essa apropriação é “legítima” não só porque enriquece aquele que se apropria, mas também porque libera a obra apropriada de leituras viesadas ou pobres, reabrindo os canais para sua compreensão imanente.

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Escrito por Marcos

23/04/2008 em 9:48 pm

The Avactor

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Ricardo Barreto
Maria Hsu, Marcos Paulo Moreti
Brazil

With the conception of abstract machines, a new era is inaugurated, as much in philosophy as in science and, we believe, also in the arts. What are abstract machines? For some, they are immanent and singular, for others they identify with the very human mind. In both cases one shares the idea that man is a machine. Not only his body, but also his subjectivity. In that sense, Andy Warhol was right in wanting to be a machine; however, the philosopher (Gilles Deleuze) and the scientist (Alan Turing) had known for a long time that they were abstract machines. I think, therefore I connect; I think, therefore I compute. These could be the new cogitos of those abstract machines. In sum: I think, therefore I am an abstract machine.

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Escrito por Marcos

27/02/2008 em 3:03 pm