“Por que você vai anular o seu voto?”. As pessoas ficam surpresas quando falo que eu não tenho candidato e que anularei o meu voto nessas eleições. Talvez pensem que eu seja uma pessoa omissa, despreocupada com o futuro da minha cidade ou, quem sabe, que eu não sou um cidadão, pois estaria desprezando a chance de melhorar o destino da minha cidade, dando oportunidade para que os péssimos candidatos ganhem, pois sendo eu uma das poucas pessoas “bem informadas”, estaria deixando com que os candidatos mais qualificados fossem deixados de lado. Esses candidatos mais qualificados seriam reconhecidos pela minha boa informação, assim, já se admiti o fracasso do pleito, pois poucos estariam qualificados para exercer corretamente o direito ao voto; logo, sendo poucos os “bem informados”, fariam diferença os seus votos? Talvez sim, desde que todos os “bem informados” chegassem a um consenso dos candidatos mais qualificados, e eles deveriam ser poucos para que os votos dos “bem informados” fossem concentrados nesses poucos para assim realmente fazerem diferença. Nesse caso, entende-se por mais qualificados aqueles que não estão com a ficha suja, ou que têm um passado de ações honrosas e honestas, mesmo assim, quem me garante que um candidato com a ficha limpa não vai sujá-la ao assumir um cargo de representante político?
O fato, contudo, é que anular o voto não interfere diretamente na eleição, pois diferente do que andam dizendo por aí, o voto nulo não é capaz de impugnar a eleição, ou seja, ele não tem valor nenhum em relação às eleições em si; porém, ele não pode ser simplesmente desqualificado como uma burrice política, ou pejorativamente como um voto inconsciente. Particularmente, acho que o voto consciente é muito mais perigoso, pois a consciência de um povo é facilmente manipulada pelo aparato propagandístico, e a eleição nada mais é do que isso: ganha o candidato, a pessoa, o indivíduo, que melhor tiver a sua imagem construída – será que o Lula da eleição de 1989, de camisa de sindicato e barba grande, teria o mesmo peso do Lula de gravata e barba aparada da eleição de 2002? São os grandes publicitários que faturam nas eleições, eles estão por trás de qualquer “bom candidato”.
O período de eleição não é um espaço de discussão do futuro da nossa cidade, de discussão de idéias e muito menos de apresentação de novidades – de novidade só as carinhas, mas os discursos são sempre os mesmos. Já não há tanta diversidade assim, tanto a direita quanto a esquerda falam a mesma coisa, pois eles sabem falar aquilo que o povo quer ouvir, eles sabem o que é “consciente na cabeça da massa”. “Idéias são ruins quando não são minhas”, assim pensa todo partido, “eu sou a novidade dentro da velha política”, assim diz ingenuamente alguns candidatos, “eu tenho que estar lá de qualquer jeito, pois posso melhorar de vida melhorando a vida dos outros”, diz pra si todo candidato a vereador que se candidata pela primeira vez.
Essa tem sido a nossa política, e não adianta se iludir que poderemos controlar o nosso candidato, que poderemos saber tudo que ele fará lá ao nos representar. “Escolha bem quem vai trabalhar pra você”, é o slogan de uma campanha da RBS, mas é ingênua demais, se responsabiliza um indivíduo por um problema coletivo, social, que no fundo nada mais é do que uma explicitação do velho “o que vale é você fazer a sua parte”, o velho discurso cristão da consciência tranqüila, que na prática é apenas um consolo.
Entretanto, o problema é ainda maior, poderia se discutir por que não temos candidatos decentes pra votar? O voto sempre é loteria, pois na “entrevista” que faço com o meu candidato, quem me garante que ele está falando a verdade, que ele sabe tudo que vai acontecer nos próximos quatro anos? Na real votar não é escolher realmente quem vai nos representar, quem vai trabalhar por nós, pois há programas de partido, idéias e conflitos que se dão em outro âmbito que extrapolam o discurso do mero representar, ou seja, quando eu estou votando, estou dizendo que “quero que você me represente”, mas nada pode garantir que será assim.
Penso que o problema dos candidatos ruins, dos menos qualificados, dos poucos eleitores aptos ao voto certo, está para além da relação eleitores e candidatos, que o próprio sistema político abre a brecha pra isso e quando você vota, está se iludindo que poderia ser diferente. As campanhas pelo voto consciente estão sempre no plano do ideal. Para um candidato realmente me representar eu precisaria ter um canal de diálogo permanente com ele, isso deveria ser real, pois representar significa estar para algo, e é inocência demais achar que os candidatos estão para os seus eleitores durante os quatro anos dos seus mandatos, não é por acaso que as pessoas esquecem em quem votaram.
Pra finalizar, gostaria de trazer a reflexão de Mikail Bakunin, que faz uma crítica que é extremamente atual: “É verdade que, em dia de eleição, mesmo a burguesia mais orgulhosa, se tiver ambição política, deve curvar-se diante de sua Majestade, a Soberania Popular. Mas, terminada a eleição, o povo volta ao trabalho, e a burguesia, a seus lucrativos negócios e às intrigas políticas. Não se encontram e não se reconhecem mais. Como se pode esperar que o povo, oprimido pelo trabalho e ignorante da maioria dos problemas, supervisione as ações de seus representantes? Na realidade, o controle exercido pelos eleitores aos seus representantes eleitos é pura ficção, já que no sistema representativo, o controle popular é apenas uma garantia da liberdade do povo, e é evidente que tal liberdade não é mais do que ficção”. Portanto, pra mim, anular o meu voto é apenas uma posição política que diz que não há mais ou menos qualificados, mas sim um sistema falido e hipócrita, que a cada quatro anos precisa de um sim dos eleitores. A minha ação política se dá em outra esfera e quem está ou estará no poder é totalmente irrelevante, pois a dinâmica do poder constituído, mesmo que ele não saiba, admite em si mesmo o germe do seu próprio fracasso e é por ele que eu espero…
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Vou Anular sim o meu voto porque ;
Não acredito em voto secreto é coisa de pessoa que quer fazer tudo escondido por baixo dos panos
Outra não ha como cobrar qualquer coisa de um politico eleito não existe um sistema se voce , pessoa comum possa reinvicar ou cobrar o politico pode tentar voce acaba preso por desacato a autoridade
então o sistema so funciona para um lado o do politico o teu não vale nada
se tivessemos uma grande maioria de voto nulos e brancos averia uma coisa para as autoridade pensar , como os voto vão pingando do lado que interesa aos politicos os burros continuam sendo iludidos por promessa vazias esperando um superhomen que soliciona tudo e o tempo passa e as coisa não acontece