
Os sábados têm sido frios nesses últimos dias. A temperatura cai na medida que as coisas se tornam sempre o mesmo – mais do mesmo, esse é o motto do silêncio para si mesmo que as pessoas vivem, inclusive eu. Caminhar pelas ruas da cidade ouvindo música ao ponto de me ensurdecer é um indício de que o silêncio que habita a minha alma são gritos sombrios – coloco o som a todo volume e silencio os meus fantasmas; mas para que falar – a cada ato de fala eu calo um pensamento, como diz Fernando Pessoa; será que calar pensamentos seria ter coragem suficiente para tomar as rédeas da minha vida, isto é, levar aos limites a minha possibilidade de autodeterminação? Ora, se auto determinar é não precisar de nada além de si mesmo; entretanto, se formos falar de amor, não seria o esclarecimento uma frieza do espírito. Pois quando amamos, estamos um para o outro, se auto determinamos em uma relação constante, amando a si mesmo através do outro – somos um “eu” que é “nós” e um “nós” que é “eu”. Sendo assim, o esclarecimento é coisa para raros, que admitem a sua solidão… totalmente inverso de mim… Prefiro desesclarecer amando, do que amar racionalizando… O amor não tem razão de ser… É em si mesmo, assim como Deus; Ter a pretensão de perguntar o que é Deus, já é negar a possibilidade de conhecê-lo… Assim como o amor, que vivemos no corpo… Sendo falacioso: “creio que Kant nunca viveu um grande amor”… Isso não pode gerar uma pergunta… Apenas um silêncio.
sabe aquela sensação de “eu queria ter escrito isso”?
…
texto maravilhoso, meu amigo.
Brilliant!