O primeiro encontro com Heidegger
Maio 16, 2008 de Marcos
Ontem passei grande parte do meu dia tentando ler um texto de Martin Heidegger. O texto apresentava uma profunda reflexão da sua parte sobre a origem da obra de arte; todavia, essa profunda reflexão - entenda também afirmação idiossincrática -, fez com que eu me distanciasse por demais do meu mundo e do mundo heideggeriano - fiquei em meio as fendas abertas por ele, onde as coisas sempre se apresentavam em seu ser e seu devir. Entender esse pequeno surto hegeliano, é uma tarefa que exige paciência e muita humildade e orgulho, pois o filósofo constitui uma linguagem própria, parecendo que a superação da metafísica se constituiria a partir da implosão criativa da própria linguagem. Entretanto, me pergunto se esse aparato filosófico, que se constrói nas rachaduras do mundo que ele mesmo destrói, não é apenas uma tentativa, como qualquer outra filosofia: um caminho que se abre cada vez mais adiante a cada passo que damos. Nesse caso, o caráter muitas vezes ininteligível da filosofia de heidegger exige de nós, pobres filósofos, a virtude da modéstia e uma paciência constante com o autor e consigo mesmo.