Resolvi pensar quantas vezes pintei a mim mesmo em palavras… “milhões de vezes!” Diz a minha humildade… “Nenhuma vez”, diz o meu orgulho… Não sou nada humilde, por isso tento ousadamente. Antes a humildade era uma virtude, mas hoje nos orgulhamos dela… Homens! Onde iremos parar? É bem melhor sermos honestos… Diante de uma alma católica – nossa alma -, é possível uma religião diferente, isto é, é possível, com esse nosso “sangue católico”, sermos espíritas, umbandistas, budistas? Difícil resposta… A cultura onde nascemos sempre fala mais alto: salve a culpa, o pecado, a confissão, a negação do corpo, a negação da vida… Não basta uma nova religião, basta uma nova “religiosidade” e uma nova maneira de ver a vida. Sendo assim, os nossos passos seriam muito mais leves se definitivamente tirássemos o peso do céu de nossas costas.
Os anjos também querem ser homens, eles cansaram de tudo saber, eles também querem supor, eles também querem sentir o sol esquentar o corpo, o beijo suave da mulher amada, o cheirinho de livro novo, a chuva molhar o corpo… Os anjos olham tudo de cima, tudo igual, uma cor só, uma forma apenas, uma vida muito mais fácil, os anjos querem crescer, eles cansaram de saber tudo que pensamos, eles querem conquistar, errar diante de uma tentativa, eles cansaram de sempre acertar… Pasmem senhores! Os anjos querem viver!
A vida é leve feito pluma, passamos e nem notamos, talvez busquemos a felicidade frustrados feito o Rei Midas, mas não admitimos que a morte é apenas o que nos resta… Diante desse pouco tempo, é melhor ser integral, amar por inteiro, apaixonar-se diariamente pela vida, ohar as estrelas e suspirar a lembrança de um belo beijo, fechar os olhos e se imaginar no céu ao ouvir o 4º movimento da 9ª Sinfonia de Beethoven, olhar os olhos de uma criança e ver nela esperança, nos arrepiar ao sentir o toque suave de uma mão em nosso ombro, viver efetivamente… ora, é tão deprimente querermos ser deuses de carne e osso, tão pesados, tão frustrados, tão tristes por termos nascido homens…
Dei uma lida em um ou dois dos teus textos e fiquei impressionado pela clareza e profundidade das tuas reflexões filosóficas. Parabéns, meu caro. Continua assim! Grande abraço.
Obrigado pela Visita Carlos, apareça mais vezes…
Filosofando com o martelo?