Ao afirmar que “o discurso amoroso é hoje em dia de uma extrema solidão”, Roland Barthes está limitando as possibilidades do sentimento amoroso – esse limite é dado por aquele que ama, é solitário por ser singular, é único. Alguns filosófos tiveram a pretensão de reduzir o sentimento amoroso à universalidade. Descartes chamou-o de conveniência; Schopenhauer chamou-o de instinto de preservação da espécie. Mas ambos apenas tentaram descrever o “amor”, tirando dos sujeitos um sentimento único e jogando para o plano desencantado dos conceitos, o filosófico. Esse plano é frio, é sem corpo, é definitivamente sem sujeito/pessoa – é assalto, pois rouba aquilo que de mais singular temos em nosso ser: o encanto de justificar a nossa própria vida na do outro, não por conveniência e nem por preservação, pois o amor é anti-político, como afirma Hannah Arendt. Quando não há uma definição com pretensão de Verdade, o terreno solitário do discurso amoroso se afirma, ele é singular na medida que se faz a partir de um “eu” em si mesmo, angustiado a maneira de Freud: “A única coisa que me faz sofrer é ver-me na impossibilidade de te provar o meu amor”, que além de afirmar a angústia diante da impossibilidade desse discurso se dar, é ele próprio um discurso amoroso e, portanto, solitário por excelência.
Um discurso do tipo solitário
09/05/2008 por Marcos
Publicado em Experimentos | Tagged amor, Filosofia, hannah arendt, ressentimento, roland barthes, solidão, verdade | No Comments Yet
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