Da Solidão
Maio 8, 2008 de Marcos
Ouvindo “How Deep is your love” do Bee Gees - uma ótima música para se ouvir caminhando com a mão no bolso contemplando a “fumaça” da nossa respiração em uma noite de frio (a estética de Porto Alegre) -, no caminho de casa, me peguei pensando sobre a solidão. Essa palavra tem em si um peso, algo que nos causa um imenso medo, pois ninguém, aparentemente, quer estar só. Mas por que o medo da solidão? Não sei… Por um lado, Nietzsche nos faz refletir sobre isso. Para o filósofo alemão, os Espíritos Livres, os Filósofos do Futuro, sabem ser só, eles são por inteiros somente em sua solidão, que para o filósofo quer dizer interioridade, conhecimento de si mesmo, mascarando-se do mundo; o filósofo do futuro é para si uma coisa muito diferente do que é para o mundo, pois a opinião do outro é sempre um equívoco e ele, o filósofo solitário, regozija-se disso. Nesse caso, o filósofo só pode ser feliz em sua própria solidão. Entretanto, essa solidão não significa isolamento, a solidão do filósofo é a solidão em meio a multidão, é sentir-se único e, portanto, é amar-se a si mesmo. Um outro filósofo alemão chamado Erich Fromm, admite, falando de amor, que “só pode amar quem sabe ser só”, isso vai ao encontro daquilo que Nietzsche fala, pois só se pode amar aquele que ama a si mesmo - amar a si mesmo é ser livre, liberdade para Nietzsche é ser responsável por si mesmo. Ora, aquele que ama a si mesmo não quer usar o outro como meio para se perder, se aliviar, se alienar, muito pelo contrário, amar a outra pessoa é achar-se nessa pessoa, mas para isso, é preciso um reconhecimento de si mesmo, é preciso aquela solidão nietzschiana. Ao meu ver, é preciso desmistificar o problema da solidão, saber ser só é saber viver consigo mesmo. O desespero por companhia, o desespero por “amor”, é uma fuga de si mesmo, é ter medo de se conhecer… Portanto, corrigindo os termos, esse desesperado não é ser só, mas ser sozinho: simplesmente pequenininho perdido em seu desespero.