Entrevista com o Filósofo Arthur Danto

A arte sempre foi motivo de inquietação para os filósofos. Na República, Platão a denunciou como mera imitação. Para Hegel, a arte estava subordinada à filosofia: em 1828, escreveu que a arte “em sua mais alta vocação, é e será para sempre uma coisa do passado para nós”. Mais recentemente, em 1984, o professor de filosofia Arthur C. Danto anunciou o “fim da arte”.
Mas não queria dizer com isso que os artistas tivessem deixado de produzir; antes, estava se referindo ao fim da história da arte. Durante boa parte dessa história, os artistas – dos escultores helenistas aos pintores acadêmicos realistas franceses do século XIX – se empenharam na representação realista do mundo. Porém, com o advento do modernismo, o realismo passou o bastão adiante, dirigindo-se rapidamente a seu desfecho – as pinceladas se tornaram visíveis e enfáticas, a cor passou a denotar mais expressão do que autenticidade, e as figuras tornaram-se cada vez mais esboçadas e cruas até não restar nada além da pura abstração. Nos anos 1980, contudo, essa progressão linear foi abruptamente interrompida à medida que o mundo da arte ingressou em uma nova era, pluralista. Esta se definia não pela predominância de determinada escola ou movimento, mas exatamente pela ausência de qualquer coisa desse tipo.