Ele mal pôde expressar o que se passava em sua cabeça – cenas de filmes, músicas, bebidas, mulheres, telefones que não tocam, etc e tal. Há sempre uma angústia, há sempre algo que jamais pode ser alcançado, pois se assim não fosse a vida em nada teria graça, seria apenas uma simples sucessão de fatos-fracassos. Em sua mente as palavras de um mestre alemão “Trabalho, tormento, desgosto e miséria, tal é sem dúvida durante a vida inteira o quinhão de quase todos os homens. Mas se todos os desejos, apenas formados, fossem imediatamente realizados, com que se preencheria a vida humana, em que se empregaria o tempo?”. Além do mais “Um coração que se encheu como um aterro… um trabalho que te mata lentamente, feridas que não cicatrizam. Você aparenta estar tão cansado-infeliz. Derrube o governo, eles não, eles não falam por nós. Eu vou levar uma vida tranqüila…”. São tantas palavras que transitam por dentro de sua pobre alma… Ainda ontem, ao ver um extintor de incêndio explodir, viu naquilo uma sinfonia da lembrança e tomou para si os seus conflitos… Viu todo um projeto se destruir em dois minutos e ao som de uma canção, sentiu lágrimas resfriarem o seu rosto, viu-se tão só como nunca antes visto. Pegou alguns livros na estante – aquele seu Zaratustra de outrora já não lhe fere tanto, aquele “recompensa mal um mestre aquele que se contenta em ser discípulo” é tão frio, tão “ideal”. Quis correr para longe de tudo, serviu uma dose do bálsamo que anestesia todo o seu viver… O mundo gira e as canções se repetem, os beijos são tantos e sempre o mesmo, a alegria é trago ou tragada, e a poesia é aquela vazia, dita em vão, que expressa apenas… Nada. Gritos e mais gritos, palavras para consigo mesmo, paredes frias que fazem tudo ecoar… Vê em si um peso, uma filosofia vã e barata que nada diz, apenas impressiona ouvidos pedantes… A sua mão, os seus olhos, a sua alma – Tudo queima! Mas o que o que fazer em caso de incêndio? Deixou-se queimar…
Livres citações de Schopenhauer, Radiohead e Nietzsche.
isto esta horroroso