Nascido na capital francesa em 1838, Bizet era filho de um professor de canto e de uma pianista. Aos nove anos, os pais o matricularam no Conservatório de Paris. Em 1857, com 19 anos de idade, ganhou o cobiçado Grande Prêmio de Roma e foi estudar na Itália, onde passaria três anos. Os professores viram nele um promissor instrumentista, mas Bizet preferiu tentar uma carreira como compositor.
Pouco depois de retornar a Paris, perdeu a mãe, morta em 1861, e teve um filho com a empregada doméstica que servia à família. Casaria apenas em 1869, com Geneviéve, filha de Fromental de Halévy, seu antigo professor no Conservatório de Paris. No ano seguinte, alistou-se na Guarda Nacional e foi lutar na guerra franco-prussiana. Após enfrentar os campos de batalha, tentou retomar sua carreira de compositor. Foi quando apostou que sua ópera Djamileh lhe traria a consagração. Mas a obra foi recebida com frieza pelo público e pela crítica.
Ainda se refazendo do fracasso anterior, Bizet mergulhou no projeto que resultaria em Carmen, sua obra-prima. Após ler a história original do escritor francês Prosper Mérimée, novela publicada pela primeira vez em 1845, decidiu tranformá-la em ópera, com libreto escrito por Henri Meilhac e Ludovic Halévy. Sem nunca ter posto os pés na Espanha, Bizet pesquisou alguns elementos da música espanhola e acrescentou alguns outros, derivados deles, mas fruto de sua própria imaginação. Isso levou parcela da crítica da época a denunciar um certo artificialismo da composição, que soaria como “música francesa querendo se passar por espanhola”.
Enquanto a parcela mais conservadora da crítica insistia em ver defeitos de ordem estética e moral em Carmen, a obra começava a chamar a atenção de importantes compositores contemporâneos de Bizet. Morto aos 36 anos, o compositor não testemunhou a extraordinária repercussão que sua ópera conquistaria logo a seguir. Nos dez anos seguintes, ela seria apresentada cerca de mil vezes, em diferentes montagens, em toda a Europa. Depois de arrebatar as platéias em sua versão lírica, Carmen também seria celebrada no século 20, com várias versões cinematográficas, entre elas as dirigidas pelos cineastas Carlos Saura e Jean-Luc Godard.