Uma provocação: filosofia, fracasso e ciência

Ao proferir o famoso “Só sei que nada sei”, Sócrates tinha consigo a consciência dos limites de sua tarefa – a do filósofo. O filósofo contemporâneo tem consigo a loucura de ser um provocador que não encontra quem seja provocado, o mundo de hoje prefere a paz medíocre e não o conflito redentor. O que seria de Sócrates no nosso mundo, onde a ciência é a única detentora das “verdades absolutas?” Talvez ele fosse internado em um hospício, pois para a maioria das pessoas esse é o lugar ideal para se filosofar. A filosofia não cria bombas, nem cura doenças, no entanto, toda ciência opera com pressupostos filosóficos, e, portanto, a pedra fundamental de qualquer descoberta é a filosofia. E se dissermos que a filosofia é um trabalho em aberto? Que a possibilidade do conhecimento e de uma linguagem perfeita ainda é pensada? E que a maioria dos filósofos que tentaram pensar nisso fracassaram? Muitos chegaram ao “achei que sabia…”. Como pode a ciência, que tem a pretensão de chegar as verdades, ter como base de sustentação algo que certamente proferirá aquelas célebres palavras de Sócrates?

~ por marcosgoulart em 15/01/2006.

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