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A nossa música irá tocar. Não haverá silêncio, só lembrança, só lembrança. Por brilho e com brilho, marcando os passos e sendo marcos, dizendo sempre te amo e sempre és tu, minha pequena, que fez o silencioso e inquieto nada ser pessoa: pequeno, grande, estranho, em si. Sobre o amor, o que dizer? Ele é o que vivemos, um gerúndio belíssimo, sempre “ando”, sempre movimento – parceiros. Um dia ele chega em sua casa, cansado, estupefato em razão de uma aula de filosofia, ele não quer silêncio, ele quer palavras, ele quer uma canção… Ela, como toda sua sensibilidade, saca um disco e seleciona uma música… “Por Brilho”!… O filósofo se vê nada… O filósofo apenas suspira: “Que coisa linda!”. É uma música? Não! É amor!

É incrível perceber o quanto um telefone na mão de um expectador pode impactar na sua percepção estética. Ontem, assistindo o show do Pearl Jam, percebi o quanto as pessoas preocupam-se em registrar o que assistem. Uma câmera media a nossa relação com a música, uma câmera media a nossa relação com o espetáculo. O registro pode ser revisto, mas a sensação de estar no show não. Proponho algumas questões: até que ponto esses equipamentos de registro não estão alterando a nossa percepção? Será que podemos pensar em uma estética do registro? Ficam essas questões… “It’s evolution, baby!”.

Professor agredido por reivindicar melhores salários

A lição de Foucault sobre resistências é simples: fazer com que determinado jogo de poder (tensões entre práticas e regras institucionais) se volte contra quem instituiu esse jogo. Alguém pode resistir negando jogar o jogo, outro, os mais niilistas (no sentido nietzscheano), podem jogá-lo até as últimas consequências, chegando ao limiar de uma relação, destruindo-a, radicalizando-a. É preciso, algumas vezes, jogar o jogo e se divertir ao ver que quem está por cima da carne fresca, de uma hora para a outra, pode morrer de fome.

Num espaço escolar a exceção não deveria ser a norma. Se ao final de todos os trimestres há a necessidade de instituir um estado excepcional, então, para que regras? A lei estabelecida a partir das instâncias corretas, isto é, todo o corpo docente, alunos, funcionários, equipe diretiva e conselhor escolar ou a soberania de um só, que pode decretar o momento da necessidade de instituir a exceção é que deve valer?
Acreditava eu que, depois do regime autoritário que dominou o nosso país por 21 anos, em todos os espaços, especialmente os escolares, o problema do autoritarismo jamais deveria existir.
Não há princípios éticos ou respeito às regras criadas pelos mesmos que descumprem, o que há é arbítrio constante e péssimos argumentos – misturados com muita conivência e mau caratismos.
A excessiva cobrança da presença da família no espaço escolar é um sinal de que a escola perdeu todo o seu sentido, pois o papel do professor, a meu ver, seguindo os passos de Hannah Arendt, é introduzir o jovem ou a criança na esfera pública, uma ruptura com a esfera familiar. Ora, o que vemos é o contrário, cada vez mais a escola se transforma em um cômodo do casa das famílias e, consequentemente, os professores se transformam em empregados. Eles se transformam no culpado de tudo.
Experimente aumentar a carga horária, experimente transformar a escola em uma creche, experimente dar muito poder a uma direção, experimente usar IDEB como critério efetivo para medir a educação e faça de tudo para que vivamos uma história de um grande absurdo. E os alunos – ou educandos para os que gostam de detalhes nas palavras – onde estão? Provavelmente, esperando algo diferente, embora a nossa prática nunca mude.
No inferno de Ítalo Calvino, é preciso abrir espaços e fazer diferente. Porém, quando os espaços são cada vez mais restritos, a diferença é apenas um jargão na boca dos incompetentes que “insistem” em achar que sabem tudo de educação. Digo com todas as letras: ninguém sabe nada! E nem quer saber! A educação não é assunto apenas de pedagogos, é um problema de todos aqueles que acreditam que algo pode ser feito… Rumores correm por aí: não é na escola que está o problema. Disso todos sabem!

P.S: Perdoem eu fazer chover no molhado, mas precisava escrever para descontar a minha inquietação.

Quem são os jovens que protestam na Inglaterra

Artigo de Tariq Aqui: Londres: por que aqui, por que agora? do Esquerda.net

Restinga

Sempre considerei uma tremenda pretensão uma pessoa se colocar no lugar da outra, a ponto de saber o que é bom ou ruim para ela. A esse tipo de discurso eu dei um apelido: “o discurso da consciência de si alheia”. Ora, esse tipo de elaboração é muito comum por parte de militantes que, por terem a “certeza” de que sabem o que é certo, submetem as pessoas ao seu olhar panorâmico sobre da realidade social. Muito mais do que isso, esse tipo de ética militante pretende limitar a percepção do outro, tomando-se como parâmetro, ele sabe, de antemão, aquilo que o outro vai sentir, o que ele vai entender, o que ele vai fazer, etc. Esse outro, é preciso que se diga, tem um recorte classista, é sempre o pobre, oprimido, que precisa de alguém que não só lute por ele, mas que instigue a sua autonomia. É preciso estarmos atentos, ninguém pode saber como o “Zé Povinho” vai encarar um filme “cult”, uma música “clássica”, um livro “difícil”, etc. Militantes, não se coloquem como emuladores. Deixem, pelo menos, a possibilidade do não entendimento, da inquietação, do estranhamento, de cada um, livre de estratégias que visem à revolução que vocês tanto sonham. Passem a encarar a experiência estética como uma prática transformadora, livre de movimentos, partidos, projetos… A ânsia pela liberdade dos outros, também pode ser a forma mais perversa de conduzir a conduta alheia.

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